Justiça ouve doleiro e ex-diretor na ação da Odebrecht nesta 4ª

Justiça ouve doleiro e ex-diretor na ação da Odebrecht nesta 4ª

O doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa serão os primeiros réus a serem ouvidos pelo juiz Sérgio Moro no processo que apura o pagamento de propinas da Odebrecht a funcionários da estatal. Os depoimentos devem começar às 14h desta quarta-feira (21), na sede da Justiça Federal do Paraná.

A ação, movida pelo Ministério Público Federal, também tem como acusados ex-diretores da empreiteira, incluindo o presidente da companhia, Marcelo Odebrecht.

Youssef e Costa fizeram acordos de delação premiada e, com isso, são obrigados a contar o que sabem sobre o esquema revelado pela Operação Lava Jato, sob pena de perderem os benefícios que conseguiram. Além deles, outros delatores disseram que a Odebrechtcomandava o esquema de fraudes contra a Petrobras, participando de um cartel que combinava as obras que a estatal contratava.

Na quinta-feira (22), outro ex-funcionário da Petrobras será ouvido. Pedro Barusco, que ocupou a gerência de Serviços da estatal, também foi denunciado no processo. Assim como Youssef e Costa, Barusco também fez um acordo de delação com o MPF e está sujeito às mesmas sanções deles, caso não diga a verdade sobre o que sabe.

Segundo a Justiça Federal, os depoimentos dos executivos da Odebrecht estão marcados para a próxima semana. Marcelo Odebrecht deverá ser ouvido na quinta-feira (29), conforme o cronograma divulgado pela 13ª Vara Federal, que conduz os processos da Lava Jato.

Fase final
Os depoimentos dos réus marcam uma das fases finais do processo em primeira instância. Após os depoimentos, o MPF e as defesas terão um prazo para apresentar as alegações finais. Em seguida, se não houver nenhum tipo de recurso que adie o andamento, Moro poderá definir as sentenças aplicáveis e as absolvições.

Lavagem de dinheiro

Para o MPF, a Odebrecht montou uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro. Com isso, a companhia pôde pagar propinas a executivos da Petrobras para fechar contratos com a estatal.

As denúncias partiram de depoimentos de ex-funcionários da Petrobras, como o ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, que firmou um acordo de delação premiada com a Justiça e detalhou o funcionamento do esquema.

A Odebrecht é uma entre as várias empresas investigadas na Lava Jato, deflagrada em março de 2014 e que tem apurado desvios de dinheiro da Petrobras.

A 14ª fase da operação, deflagrada em junho deste ano, culminou na prisão de Marcelo Odebrecht e de outros executivos ligados à empresa.

Esquemas
Um dos esquemas envolvendo a Odebrecht ocorreu na construção do Centro Administrativo da Petrobras em Vitória, no Espírito Santo, segundo o MPF. Outro caso investigado envolveu a Braskem, empresa do grupo Odebrecht, em um contrato com a Petrobras para compra de nafta, que teria dado um prejuízo de R$ 6 bilhões à estatal petroleira.

Nesta transação, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa teria recebido propinas de R$ 5 milhões por ano e passado parte do dinheiro para o ex-deputado José Janene (PP), já falecido, e depois ao próprio Partido Progressista, afirmou o procurador.

 

 

 

G1