Justiça já considera foragido acusado de morte de Eliza Samudio

Justiça já considera foragido acusado de morte de Eliza Samudio

Após duas semanas de ter a prisão preventiva decretada, o ex-policial José Lauriano de Assis Filho já é considerado foragido, segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O advogado do ex-policial, Rodrigo Geraldo Simplício da Silva, afirmou ao G1 nesta quarta-feira (22) que o seu cliente aguarda o julgamento de um habeas corpus para se entregar. Zezé, como é conhecido, é acusado de envolvimento na morte de Eliza Samudio. O goleiro Bruno Fernandes e mais cinco pessoas foram condenadas por participação no caso.

O criminalista afirmou que entrou com o pedido de recolhimento do mandado de prisão contra o seu cliente no TJMG. O tribunal confirmou o habeas corpus da defesa. “Ele vai para a cadeia para se manifestar sobre o que, se não tem nada nos autos? Isso é inadmissível. É um direito dele de não ser preso por uma injustiça. (...) Nada justifica sequer o recebimento da denúncia, menos ainda uma prisão preventiva”, destacou o advogado.

No último dia 3 de julho, José Lauriano e o policial da ativa Gilson Costa foram denunciados pelo Ministério Público de Minas Gerais por suposta ligação com o assassinato. No pedido de prisão de Zezé, a Justiça mineira alegou que a liberdade do acusado poderia atrapalhar o andamento da instrução criminal. Desde a data, a Polícia Civil informa que faz buscas com o objetivo de encontrar o suspeito.

De acordo com o advogado do ex-policial, Rodrigo da Silva, a decisão de se entregar após a manifestação da Justiça partiu de Zezé. O criminalista informou que seu cliente está em Minas Gerais e permanece “bem” e “tranquilo”. “Não esperava isso não. Por diversas vezes ficou aqui, trabalhou. Foi aposentado pela polícia. Não tem nada na ficha dele”, afirmou a defesa.

Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, no pedido de prisão de José Lauriano, o juiz Elexander Camargos Diniz, da Vara do Tribunal do Júri de Contagem, alegou que “o simples fato de se tratar de um policial civil incute temor a testemunhas e aos demais envolvidos na sequência de crimes”.

Em relação ao policial Gilson Costa, o juiz determinou medidas cautelares diferentes da prisão. Conforme o despacho, o acusado está proibido de se aproximar e de manter contato com testemunhas, vítimas e informantes do processo.

 

Elexander Camargos Diniz afirmou no despacho que há prova da materialidade dos crimes e que existem indícios de autoria dos fatos apontados pelo Ministério Público.
Segundo consta na denúncia assinada pelo promotor Daniel Saliba de Freitas, Zezé poderá responder por sequestro e cárcere privado de Eliza e do filho, homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, corrupção de menor majorada, corrupção de menores, além de uso de violência ou grave ameaça. Já Gilson Costa foi denunciado apenas por este último crime.

 

Além da prisão preventiva de Zezé, o juiz Elexander Diniz determinou também o sigilo do processo, já que a ação penal foi proposta com base em elementos colhidos a partir da quebra do sigilo bancário e telefônico dos envolvidos. Outro motivo pelo sigilo, conforme o TJMG, foi evitar o tumulto processual diante da ampla repercussão do caso na imprensa.

 

 

 

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