Justiça Federal nega liberdade para ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada

Justiça Federal nega liberdade para ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), com sede em Porto Alegre, negou pedido de habeas corpus a Jorge Luiz Zelada, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras. A decisão é de terça-feira (22), mas foi divulgada nesta quarta (23).

Jorge Zelada foi preso no início de julho durante a 15ª fase da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na estatal. Ele é acusado de favorecer a empresa Vantage Drilling em um contrato com a Petrobras em troca de propina.

Segundo o TRF4, a defesa de Zelada questionava a validade da deleção premiada contra o ex-executivo da estatal e pedia que ele fosse solto e o processo contra ele trancado.

O argumento dos advogados é de que existem erros circunstanciais nos depoimentos prestados à Justiça por Hamylton Pinheiro Padilha, apontado pela Polícia Federal (PF) como operador do ex-diretor da Petrobras no esquema. Por isso, a homologação judicial do acordo de delação premiada seria nula.

 

Ao analisar o recurso, o desembargador federal João Pedro Gebran Neto, relator dos processos da Lava Jato no TRF4, negou o pedido.
 
O desembargador destacou que a delação premiada não é prova, mas apenas uma forma de obtê-la, e que eventual inconsistência não afeta a validade no processo. O momento da homologação também não é o adequado para aferir a idoneidade dos depoimentos dos colaboradores, destacou o magistrado.

 

A 8ª Turma do TRF4 já havia negado outro habeas corpus para o réu em agosto.

 

Jorge Zelada
Zelada foi o sucessor de Nestor Cerveró, também preso pela Operação Lava Jato, na Petrobras. Ele comandou a diretoria Internacional entre 2008 e 2012 e entrou na lista dos investigados pela Operação Lava Jato após ser citado em depoimentos de delações premiadas firmadas por outros suspeitos.

 

Em depoimento à Justiça Federal, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, que cumpre prisão domiciliar no Rio de Janeiro, disse que Zelada era um dos beneficiários do esquema de corrupção.

O ex-gerente de Serviço da Petrobras Pedro Barusco afirmou que Zelada foi beneficiado à época em que era gerente geral de obras da Diretoria de Engenharia e Serviços. Todavia, Barusco não soube informar se Zelada continuou a receber vantagens indevidas no cargo de diretor da área Internacional.

Barusco disse ainda que Zelada negociava diretamente com as empresas em contratos menores na área de exploração e produção. O delator também informou que repassou diretamente a Zelada R$ 120 mil. O pagamento foi efetuado, conforme o delator, em três visitas à casa do ex-diretor.

Os dois delatores foram arrolados pelo MPF como testemunhas de acusação.

 

 

 

G1