Justiça decreta prisão de suspeito de participar da morte de Eliza Samudio

Justiça decreta prisão de suspeito de participar da morte de Eliza Samudio

Após aceitar a denúncia contra mais dois suspeitos de envolvimento na morte de Eliza Samudio, a Justiça de Minas decretou a prisão preventiva do policial aposentado José Lauriano de Assis Filho, conhecido como Zezé, mas o homem não foi encontrado na casa dele. O goleiro Bruno Fernandes e mais cinco pessoas foram condenadas por participação no caso.

O Ministério Público de Minas Gerais ofereceu denúncia contra o Zezé e o policial da ativa Gilson Costa. De acordo com a Polícia Civil, uma equipa da corporação esteve na residência de Zezé na sexta-feira (10) para cumprir o mandado de prisão, mas ele não estava no local. A assessoria informou que a polícia continua os trabalhos, na tentativa de localizar o suspeito. O G1 tentou contato com o advogado de Zezé, mas ele não foi encontrado.

Conforme o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o juiz Elexander Camargos Diniz, da Vara do Tribunal do Júri de Contagem, decretou a prisão preventiva de José Lauriano, alegando que a liberdade do acusado pode atrapalhar o andamento da instrução criminal. “O simples fato de se tratar de um policial civil incute temor a testemunhas e aos demais envolvidos na sequência de crimes”, apontou o magistrado.

Em relação a Gilson Costa, o juiz determinou medidas cautelares diferentes da prisão. Conforme o despacho, o acusado está proibido de se aproximar e de manter contato com testemunhas, vítimas e informantes do processo. Elexander Camargos Diniz afirmou no despacho que há prova da materialidade dos crimes e que existem indícios de autoria dos fatos apontados pelo Ministério Público.

Segundo consta na denúncia assinada pelo promotor Daniel Saliba de Freitas, Zezé poderá responder por sequestro e cárcere privado de Eliza e do filho, homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, corrupção de menor majorada, corrupção de menores, além de uso de violência ou grave ameaça. Já Gilson Costa foi denunciado apenas por este último crime.

Além da prisão preventiva de Zezé, o juiz Elexander Diniz determinou também o sigilo do processo, já que a ação penal foi proposta com base em elementos colhidos a partir da quebra do sigilo bancário e telefônico dos envolvidos. Outro motivo pelo sigilo, conforme o TJMG, foi evitar o tumulto processual diante da ampla repercussão do caso na imprensa.

A Justiça informou que os acusados têm agora o prazo de dez dias para responder à acusação. Posteriormente, o magistrado poderá pronunciar os réus, ou seja, determinar que eles sejam submetidos a júri popular, ou não. Ainda não há uma data para que essa decisão ocorra.

Denúncia
De acordo com a denúncia, no dia 4 de junho de 2010, Zezé sequestrou Eliza Samúdio e o filho dela, então com quatro meses, com a ajuda do primo de Bruno, Jorge Luiz Lisboa Rosa. Ainda segundo o MP, a ação foi acertada com o goleiro e Luiz Henrique Romão, o Macarrão.

Zezé também teria ajudado a manter Eliza e o bebê em cárcere privado até o dia 10 de junho quando a vítima foi assassinada. O denunciado ainda teria participado da morte dela ao lado do já condenado Marcos Aparecido de Souza, o Bola.

O MP sustenta que Zezé corrompeu o então adolescente Jorge Luiz Lisboa Rosa a ajudá-lo a ocultar o cadáver de Eliza.

No dia 16 de julho de 2011, Zezé e Gilson Costa teriam ameaçado a testemunha Jaílson Alves de Oliveira dentro da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Belo Horizonte. Ele havia sido companheiro de cela de Bola na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Por causa disso, Jaílson ficou sabendo de detalhes da morte de Eliza.

Ainda segundo a denúncia, com medo de também ser incriminado, Zezé pediu ajuda a Gilson. O policial teria dito a Jaílson que ele tinha três opções: mudar o depoimento, fugir ou ter a esposa assassinada. A testemunha chegou a escapar da penitenciária, sendo recapturado posteriormente, vindo a relatar a coação sofrida, de acordo com o MP.

O caso
Eliza desapareceu em 2010 e seu corpo nunca foi achado. Ela tinha 25 anos e era mãe do filho recém-nascido do goleiro Bruno, de quem foi amante. Na época, o jogador era titular do Flamengo e não reconhecia a paternidade.

Condenados
Bruno Fernandes foi condenado a 22 anos e 3 meses pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samudio e também pelo sequestro e cárcere privado do filho, Bruninho. A pena é de 17 anos e 6 meses em regime fechado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima), a outros 3 anos e 3 meses em regime aberto por sequestro e cárcere privado e ainda a mais 1 ano e 6 meses por ocultação de cadáver. A pena foi aumentada porque o goleiro foi considerado o mandante do crime, e reduzida pela confissão do jogador.

Já Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, foi condenado a 22 anos de prisão pela morte de Eliza Samudio e pela ocultação do cadáver da ex-amante do goleiro Bruno. A pena determinada foi de 19 anos de prisão em regime fechado pelo homicídio e mais três anos de prisão em regime aberto pela ocultação do cadáver.

Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, foi condenado a 15 anos de prisão – pena mínima por homicídio qualificado em razão de sua confissão. Conforme a sentença da juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, Macarrão foi condenado a 12 anos em regime fechado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima) e mais três anos em regime aberto por sequestro e cárcere privado. Ele foi absolvido da acusação de ocultação de cadáver.

Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do goleiro, foi condenada a 5 anos de prisão pelos crimes de sequestro e cárcere privado, de Eliza Samudio e de seu filho, Bruninho, condenada à pena de 2 anos e 3 anos respectivamente, ambas em regime aberto.

Elenilson da Silva e Wemerson Marques – o Coxinha – foram considerados culpados pelo sequestro e cárcere privado do filho da ex-amante do goleiro. O primeiro foi condenado a 3 anos em regime aberto e o outro, a dois anos e meio também em regime aberto.

 

 

 

G1