Juro do cartão de crédito sobe e se aproxima dos 300% ao ano

Juro do cartão de crédito sobe e se aproxima dos 300% ao ano

O cenário de maior inflação, aumento de juros e expectativa de maior inadimplência levaram a um novo aumento dos juros do cartão de crédito. A alta de abril, a terceira seguida neste segmento, fez a taxa chegar a 12,14% ao mês ou 295,48% ao ano, o que significa dizer que uma dívida de R$ 1.000 no cartão se transforma, 12 meses depois, em R$ 3.954,89. Essa é a modalidade de crédito mais cara para a pessoa física, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).
Das seis linhas de crédito pesquisadas, todas tiveram suas taxas de juros elevadas no mês: crediário; cartão de crédito rotativo; cheque especial, CDC financiamento de veículos; empréstimo pessoal em bancos; e empréstimo pessoal em financeiras. Com todas essas altas, a taxa de juros média da pessoa física passou de 6,71% ao mês (118,00% ao ano) em março deste ano para 6,77% ao mês (119,48% ao ano) em abril, o maior valor desde julho de 2011.
Na avaliação do diretor executivo da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, o atual ciclo econômico faz com que os bancos fiquem mais criteriosos e, por isso, elevam a taxa. Esse cenário tem como pano de fundo a redução da renda das famílias, que estão com menos verba disponível para o pagamento de dívida devido à inflação e aumento de tarifas. Além disso, há a expectativa de aumento das taxas de desemprego.
“Tudo isto somado e o fato de que as expectativas para 2015 são igualmente negativas quanto a todos estes fatores, há a tendência de levar as instituições financeiras a aumentarem suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência”, avaliou.
Para Oliveira, como o Banco Central (BC) deve continuar elevando a Selic, que atualmente está em 13,25% ao ano, os juros para o consumidor continuarão em trajetória de alta.
A alta também é sentida pelas empresas. A taxa de juros média da pessoa jurídica passou de 3,89% ao mês (58,08% ao ano) em março para 3,97% ao mês (59,55% ao ano) em abril, a maior desde novembro de 2011.

 

 

 

 

 

O Globo