Juiz revela esquema de compra de votos que envolvem emendas, obras superfaturadas e arranjos políticos

Juiz revela esquema de compra de votos que envolvem emendas, obras superfaturadas e arranjos políticos

O juiz Marlon Jacinto Reis, um dos criadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e incentivador da Lei da ficha Limpa e do Projeto de Lei que visa promover a Reforma Política e eleitoral no País, revelou em seu recente livro “Nobre Deputado” como acontece o esquema de compra de votos no país. Reis está no estado para o lançamento do livro em campanha feita pela Escola Judiciária Eleitoral da Paraíba.

Segundo o juiz, o livro tem duas partes. “Eu percebi que havia dois momentos. Uma é como se obtêm dinheiro para campanha e outro como se transforma esse dinheiro em voto. Aí que entra a compra do voto”, pontua.

“Há deputados que pegam emendas parlamentares e exigem que no mínimo 20% vá para eles”, contou o juiz que explica. Após ser eleito o deputado faz emenda para a cidade e quando a verba chega na conta do Prefeitura exige o pagamento de 25% em dinheiro.

Em outro caso, o juiz revelou que um deputado ofereceu 25% da emenda para o prefeito e 75% para o deputado. “Os 25% era uma espécie de cala boca e não haveria obra alguma”, diz.

Outras formas de pagamento nas compras de votos seriam licitações fraudulentas, as doações feitas por empresas, que na verdade seria espécies de antecipações que mais tarde seriam devolvidas multiplicadas várias vezes.

Reis conta que a compra do voto não é simples, como normalmente se imagina e nenhum candidato chega abertamente pagando pelo voto do eleitor.

“Um candidato a deputado federal não chega oferecendo dinheiro. A compra do voto entra com a compra do apoio político. Ele paga ao chefe local que garante que irá arrumar tantos votos. Tem uma espécie de código de ética. O dinheiro é pago para a ‘estrutura da campanha’, o chefe local diz que vai precisar de cerca de R$ 500 mil. Neste dinheiro está cotado o valor da gasolina da carreata, o pagamento dos fiscais, o dinheiro que será dado ao eleitor, e a remuneração dele (do chefe local). Ganha o voto da comunidade quem conseguiu comprar o cara com mais dinheiro”, ressalta o juiz.

Para o juiz, o sistema diz que quem não tiver dinheiro está fora do pleito, por isso o deputado precisa conseguir o dinheiro e acaba usando meios escusos para isso. “Eles desviam verba do gabinete com, por exemplo, aluguel de carro, assim vai se botando num caixa (de campanha). Isso acontece desde o pequeno até o grande”, frisou.

Sugestões – Entre as sugestões de mudança para a forma atual, o juiz defende a mudança do modelo de financiamento da campanha. “Hoje as eleições são caríssimas e uma pessoa comum não pode se candidatar. Nós temos eleições mais caras do que a dos EUA”, argumenta Reis que explica que apesar das eleições norte-americanas serem bilionárias, quando comparados os valores através do PIB a campanha brasileira acaba sendo três vezes mais caras. O custo deve dobrar em relação a 2010 e chegar a algo em torno de R$ 9 bilhões, só de valores declarado”.

Muito mais irregularidades- Um deputado federal da Bahia disse que teve um candidato que inflacionou demais a campanha e não tinha quem concorresse por ele. Eu fui censurado por alguns parlamentares porque disseram que eu estava generalizado, eu não estou generalizando, eu estou dizendo como funcionam os corruptos”, finalizou.

 
 


Paulo Dantas