Juiz ordena quebra do sigilo bancário de 15 presos na Operação Lava Jato

Juiz ordena quebra do sigilo bancário de 15 presos na Operação Lava Jato

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância, determinou nesta terça-feira (18) ao Banco Central a quebra do sigilo bancário de 15 dos 23 presos da nova etapa da operação policial. Entre os suspeitos que terão as contas bancárias devassadas estão o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e executivos de algumas das principais empreiteiras do país.

O magistrado também ordenou que a autoridade monetária envie à Justiça Federal do Paraná os dados bancários do lobista Fernando Soares, conhecido como "Fernando Baiano", apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

No documento, o juiz federal solicita dados sobre contas, investimentos e outros ativos mantidos entre os dias 5 e 18 de novembro deste ano.

Além da quebra de sigilo dos 16 suspeitos, Moro também ordenou que o Banco Central disponibilize informações bancárias de três empresas: D3TM Consultoria e Participações; Hawk Eyes Administração de Bens; e Technis Planejamento e Gestão em Negócios.

O documento protocolado no Banco Central não deixa claro o motivo de ele não ter ordenado a divulgação dos dados bancários dos outros presos.

Depoimentos
Desde o último sábado (15), a Polícia Federal colhe depoimentos dos executivos e funcionários das empreiteiras presos. No sábado e no domingo (16), dirigentes da Engevix e da Queiroz Galvão negaram a existência de cartel que atuava em contratos da Petrobras.

A PF tentou ouvir nesta segunda cinco executivos e funcionários da construtora OAS. Todos ficaram calados durante a audiência por orientação de seus advogados, que alegaram não ter acesso aos documentos relacionados à investigação.

O advogado Pedro Henrique Xavier, responsável pela defesa do diretor da Galvão Engenharia Erton Medeiros Fonseca, afirmou ao G1 nesta terça que seu cliente confirmou ter pago propina ao esquema de corrupção que atuava na Petrobras. Segundo relato do criminalista, Fonseca disse aos delegados federais que pagou o suborno sob ameaça do ex-deputado federal José Janene (PP-PR), morto em 2010. Xavier, no entanto, não detalhou para qual diretoria da petroleira a propina era paga.

 

Operação Lava Jato
A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões e provocou desvio de recursos da Petrobras, segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Na primeira fase da operação, deflagrada em março deste ano, foram presos, entre outras pessoas, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

A nova fase da operação policial teve como foco executivos e funcionários de nove grandes empreiteiras que mantêm contratos com a Petrobras que somam R$ 59 bilhões. Parte desses contratos está sob investigação da Receita Federal, do MPF e da Polícia Federal. Ao todo, foram expedidos, nesta sétima etapa, 85 mandados em municípios do Paraná, de Minas Gerais, de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Pernambuco e do Distrito Federal.

Conforme balanço divulgado pela PF, 23 pessoas foram presas. Também foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão. Foram expedidos ainda nove mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a ir à polícia prestar depoimento), mas os policiais conseguiram cumprir seis.

Veja os nomes dos suspeitos e das empresas que terão as contas bancárias devassadas:

Erton Medeiros Fonseca, diretor-presidente de Engenharia Industrial da Galvão Engenharia

Renato de Souza Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras

Ildefonso Colares Filho, ex-diretor-presidente da Queiroz Galvão

Othon Zanoide de Moraes, diretor-executivo da Queiroz Galvão

Fernando Soares, conhecido como "Fernando Baiano", lobista apontado como operador da cota do PMDB no esquema de corrupção

Valdir Lima Carreiro, diretor-presidente da IESA

Dalton dos Santos Avancini, presidente da Camargo Corrêa

Walmir Pinheiro Santana, responsável pela UTC Participações

José Ricardo Nogueira Breghirolli, funcionário da OAS 

Eduardo Hermelino Leite, vice-presidente da Camargo Correa

Sérgio Cunha Mendes, diretor-vice-presidente-executivo da Mendes Junior

Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor-presidente da Área Internacional da OAS

Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC

João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa

José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS

Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix

VALE ESTE - Arte Lava Jato 7ª fase (Foto: Infográfico elaborado em 15 de novembro de 2014)
 

G1