João Santana tenta tirar de Sérgio Moro apuração contra ele e remetê-la ao STF

João Santana tenta tirar de Sérgio Moro apuração contra ele e remetê-la ao STF
O marqueteiro do PT João Santana pediu nesta quinta-feira (10) para ser investigado sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e não mais pelo juiz Sérgio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato na primeira instância da Justiça Federal, em Curitiba.
 
No pedido, a defesa alegou que as apurações envolvem serviços que prestou para duas campanhas eleitorais da presidente Dilma Rousseff, com participação do ministro Edinho Silva, tesoureiro da campanha dela em 2014; e também das senadoras Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Marta Suplicy (PMDB-SP). Todas essas autoridades só podem ser investigadas no STF.

 

 

"Assim, a atuação da autoridade reclamada nos autos sub judice (Sérgio Moro) caracteriza claríssima usurpação da competência constitucional desta Corte Supremo", diz a peça.
 
Os advogados de João Santana também pedem a suspensão da prisão preventiva decretada por Moro, bem como de toda a investigação, incluindo a quebra de sigilos de dados e as escutas telefônicas já autorizadas.

 

 

De acordo com o pedido dos advogados, a ação contra o marqueteiro pretende "apurar a ocorrência de possíveis crimes eleitorais, que envolvem, ao que tudo indica, autoridades detentoras de prerrogativa de foro".
 
Noutra parte do pedido, a defesa faz críticas à investigação conduzida pelo Ministério Público Federal no Paraná e por Sérgio Moro.

 

"Muito embora [João Santana] tenha, de fato, mantido recursos em contas não declaradas no exterior, tais valores não têm qualquer relação com as campanhas eleitorais que realizou no Brasil para o PT [...] Não obstante, todos os atores da persecução penal -- seja a autoridade policial, seja os representantes do parquet (Ministério Público), seja o juiz reclamado (Sérgio Moro) -- não têm medido esforços para provar justamente o oposto".

 

Além de alegar a "usurpação de competência" de Moro, os advogados argumentam que, embora os crimes de que Santana é suspeito tenham natureza eleitoral, não devem ser enviados para a Justiça eleitoral, mas sim para o STF, em razão do foro privilegiado.
 
Nesta quinta, João Santana e a mulher, Mônica Moura, ficaram calados durante os depoimentos à Polícia Federal em Curitiba.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IG