Inteligência do Serrotão desarticula esquema fraudulento de carteirinhas de visitantes

Inteligência do Serrotão desarticula esquema fraudulento de carteirinhas de visitantes

Um apenado do presídio Raymundo Asfora (Serrotão), em Campina Grande, que fez uso de redes sociais mesmo estando cumprindo pena na unidade penal, perdeu o benefício de progredir para o regime Semiaberto, após a conclusão da sindicância sobre o caso. Ele terá que passar mais um ano no regime fechado, para ter novamente a chance de passar a cumprir pena em casa de Albergue.

Tudo começou com a descoberta de um esquema fraudulento na confecção de carteiras de algumas visitantes. A Gerência de Inteligência da Secretaria da Administração Penitenciária do Estado/PB – GISOPE em parceria com o Setor de Informações e Operações (Siop) do Serrotão, que, dentre outras atribuições, faz o levantamento da utilização das redes sociais de familiares de apenados com o intuito de detectar apenados utilizando celulares e redes sociais, além de levantar dados sobre os presos e as pessoas que se cadastram para os dias de visita, conseguiu provar que algumas mulheres providenciaram documentos inverídicos em cartórios, para ter acesso ao presídio nos dias de visita íntima.

Pelas regras da penitenciária, o preso que cancela a sua visitante – por motivos de separação, por exemplo – só pode receber nova companheira seis meses depois. Para burlar essas normas e abreviar esse prazo, um dos detentos (a quem chamaremos de ‘João’) pediu para que um irmão (‘José’), que também está preso, mas não recebe visitas, solicitasse o cadastro de uma mulher. Essa mulher, então, fez a carteirinha em nome de ‘José’, mas frequentava a cela de ‘João’.

De acordo com o secretário da Administração Penitenciária, Wallber Virgolino, o esquema foi descoberto quando o Siop do Serrotão identificou imagens de ‘João’ posando em fotos com a acusada, publicadas em redes sociais. “Os agentes do setor de Inteligência, após a realização de buscas diárias nas redes sociais, que o mencionado preso não deveria estar recebendo visita de mulher até completar os seis meses de prazo. E mais: aquela mulher que estava nas fotos com ele constava no cadastro de visitas de ‘José’. Foi a partir daí que a nossa inteligência aprofundou as investigações e detectou a fraude”, disse Wallber.

Todas as provas estão no procedimento de sindicância interna, concluído na última terça-feira, 16 de dezembro. O preso flagrado, que seria beneficiado com progressão de regime nesta semana, terá de passar mais um ano no Serrotão, como punição pela conduta. Igualmente, todo o conjunto probatório será encaminhado a Polícia Civil para apuração criminal da conduta criminosa.

O Secretário Wallber Virgolino, alerta a apenados e familiares que: “evitem incorrerem em condutas indisciplinadas e criminosas, pois o Sistema Penitenciária da Paraíba sempre estará atenta para punir de forma severa que tentar burlar a Lei e as regras internas das Unidades Prisionais. O apenado poderá até conseguir por alguns dias burlar nossa inteligência, porém nós descobriremos e não perdoares tais condutas”.

O irmão também

No decorrer das investigações, a inteligência descobriu que ‘José’ – que emprestou seu nome para o irmão receber a visitante – também utilizou do mesmo artifício, pegando o nome emprestado de um terceiro detento, para poder usufruir de visita íntima. Todos foram identificados e punidos com isolamento, como determina a Lei da Execução Penal. Se eles estivessem prestes a receber algum benefício de progressão de regime, também teriam o direito cancelado pelo período de um ano.

 

 

A porta de entrada

Para uma mulher ter direito de visitar seu suposto companheiro no presídio, ela tem que apresentar uma declaração registrada em cartório de que mantém uma união estável com o referido apenado, caso ela não tenha registro de casamento com o preso. Foi o que fez acusada deste caso, porém de forma fraudulenta, como revela o resultado da sindicância. “Infelizmente, não temos como impedir o acesso de pessoas que estejam com a documentação aparentemente legal. Mas temos um setor de Inteligência que investiga e desarticula esquemas como este”, disse o diretor da unidade, Manoel Eudes Osório de Araujo.

Outros casos

 

Somente este ano, a Gerência de Inteligência da SEAP já investigou 16 detentos que utilizaram as redes sociais, provavelmente através de aparelhos celulares. Todos eles foram punidos dentro do que preconiza a Lei da Execução Penal. “É importante as pessoas saberem que alguns atos de indisciplina acontecem, mas os seus autores são devidamente responsabilizados”, destacou o diretor da Unidade Prisional.



 

Assessoria