Inflação deve somar 8,2% em 2015 e estourar teto da meta, prevê governo

Inflação deve somar 8,2% em 2015 e estourar teto da meta, prevê governo

O governo admitiu oficialmente, por meio do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2016, que a inflação deve somar 8,2% neste ano e, com isso, estourar o teto do sistema de metas de inflação brasileiro. O Banco Central, responsável pelo controle da inflação, já havia estimado uma inflação próxima de 8% neste ano.

 

Em 2016, por sua vez, o governo está prevendo que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, some 5,6%, atingindo o centro da meta de inflação, de 4,5%, somente em 2017. A última previsão do BC para a inflação de 2016, divulgada no fim de março, é de 4,9%.

Para o mercado financeiro, o IPCA deverá somar 8,13% neste ano e 5,6% no ano que vem.

Pelo sistema que vigora no Brasil, a meta central para 2015 e 2016 é de 4,5%. Entretanto, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida.

Quando a inflação fica mais alta do que o teto de 6,5% do sistema de metas brasileiro, o presidente do Banco Central precisa escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda explicando as razões que motivaram o "estouro" da meta formal.

Última vez acima do teto foi em 2003
A última vez em que a inflação ficou acima do teto do sistema de metas de inflação foi em 2003, ou seja, há mais de dez anos, e o documento foi assinado pelo então presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles.

Ao prever um IPCA de 5,6% para o ano que vem, o governo informa que, até o momento, ainda não acredita que o objetivo fixado pelo Banco Central, de atingir o centro da meta de 4,5% no ano que vem, será atingido. Nesta terça-feira (14), durante evento em São Paulo, o presidente do BC, Alexandre Tombini, reafirmou esse objetivo da autoridade monetária.

“Faz-se necessário manter a política monetária [definição dos juros para conter as pressões inflacionárias] vigilante. Só assim conseguiremos alcançar um dos pilares do regime de metas para inflação, que é ancorar expectativas e assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,5% em dezembro de 2016, cujos benefícios deverão se estender para além do próximo ano”, disse Tombini na ocasião.

 
 
 
 

G1