Indústria volta a encolher em junho e, no ano, tem o pior resultado desde 2009

Indústria volta a encolher em junho e, no ano, tem o pior resultado desde 2009

A produção industrial brasileira encolheu 0,3% em junho, na comparação com maio, informou o IBGE nesta quarta-feira. Em relação a junho do ano passado, a queda foi de 3,2%. No ano, o recuo é de 6,3%, o pior resultado desde 2009, quando o setor encolheu 7,1%. No primeiro semestre do ano passado, o setor registrou recuo bem menor, de 2,4% e, no segundo semestre, de 3,7%.

Em maio, a indústria havia conseguido uma leve recuperação, avançando 0,6% frente a abril. Na ocasião, analistas destacaram, no entanto, que o número positivo não alterava o cenário de recessão pelo qual passa o setor.

— Esse resultado de junho vem confirmar essa leitura que a gente já faz há algum tempo. Nas dez últimas informações no dado com ajuste sazonal, sete resultados são negativos, dois positivos e uma estável — destacou André Macedo, gerente da coordenação de indústria do IBGE.

O recuo de junho foi influenciado por resultados negativos em 15 dos 24 ramos pesquisados pelo IBGE. Entre os destaques, está a queda do segmento de máquinas e equipamentos (-7,2%), um importante indicador do nível de investimento das empresas. Também puxaram o número para baixo os desempenhos dos setores de equipamentos de informática (-12,7%) e veículos automotores (-2,8%).

BENS DE CAPITAL TÊM PIOR SEMESTRE DESDE 2003

Três das quatro grandes categorias econômicas registraram queda. Só Bens de consumo semi e não duráveis não registraram perdas, com alta de 1,7% frente a maio. As demais categorias — bens de capital (-3,3%), bens intermediários (-0,2%) e bens de consumo duráveis (-10,7%) — recuaram.

No ano, o segmento de Bens de Capital recua 20%, pior resultado para o período desde 2003. Até então, o pior resultado havia sido em 2009, com -16,5%. Já o de Bens de Consumo Duráveis encolhe 14,6% no ano, também o pior nível desde 2003, quando registrou queda de 9,1%.

- Editoria de Arte

BASE DE COMPARAÇÃO JÁ ERA FRACA

Nem o chamado efeito calendário impediu o resultado negativo, no resultado frente ao ano passado. Junho de 2015 teve um dia útil a mais que o mesmo mês de 2014. Além disso, a Copa do Mundo influenciou negativamente o setor, devido aos feriados naquele ano. Ou seja, a produção industrial recuou sobre uma base de comparação já fraca.

— Mesmo com efeito calendário positivo para 2015 e com uma base de comparação menor, ainda assim o total da indústria e das categorias econômicas permaneceram com quedas em sequência — destacou Macedo.

Nos últimos meses, o IBGE tem mostrado os efeitos do momento de retração sobre o mercado de trabalho na indústria. Em maio, o número de vagas formais no setor recuou 1% frente ao mês anterior e, na comparação com o mesmo mês do ano passado, despencou 5,8%.

As perspectivas para a indústria neste ano não são boas. Segundo o mais recente boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, economistas do mercado financeiro preveem queda de 5% da produção industrial neste ano. Para 2016, a previsão é de recuperação apenas parcial, com avanço de 1,6%. Caso se confirme, será o pior desempenho da indústria brasileira desde 2009, quando, ainda sob efeito da crise global, o setor recuou 7,1%.

 

 

 

O Globo