Hugo Motta: CPI vai seguir firme para encontrar os verdadeiros ratos que corroeram a Petrobras

Hugo Motta: CPI vai seguir firme para encontrar os verdadeiros ratos que corroeram a Petrobras

"Antes de encerrar, queria dizer que continuaremos firmes e fortes no intuito de aprofundar as investigações para encontrar os verdadeiros ratos que desviaram recursos da Petrobras", disse o presidente da CPI, Hugo Motta, ao término da reunião da Comissão que ouviu o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

Vaccari afirmou à CPI da Petrobras nesta quinta-feira (9) que as doações de campanhas oficiais feitas por empresas investigadas pela Operação Lava Jato na campanha eleitoral de 2010 não representam peso excessivo no total arrecadado.

Réu da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, sob a acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, o tesoureiro do PT João Vaccari Neto é apontado como o responsável do PT por arrecadar propinas de empresas contratadas pela Petrobras.

Segundo Vaccari, as doações das empresas investigadas, em 2010, totalizaram R$ 135 milhões. “As doações feitas por empresas investigadas foram equivalentes às de outras empresas”, disse Vaccari.

O tesoureiro disse ainda que não tinha a atribuição de arrecadar recursos de campanha para o partido nas eleições de 2006 e 2010 e afirmou: "Serei secretário de finanças até que tenha liberação do diretorio nacional do partido".

Após fazer uma série de acusações a Vaccari sobre sua conduta como tesoureiro do PT, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), afirma que o petista teria ido ao escritório de Youssef e que teria fotos que comprovavam a visita, Vaccari confirmou: "Eu estive no escritório dele [Youssef], mas ele não estava presente.". Vaccari afirmou que o encontro não tinha uma agenda pré determinada e que não poderia responder sobre o assunto que seria tratado. "Essa dúvida que o senhores têm, eu também tenho", afirmou.

"O senhor Alberto Youssef mandou para mim o recado para que eu fosse ao escritório dele. Nós não marcamos nada. Lá eu compareci, ele não estava e eu fui embora", finalizou.

O tesoureiro do PT João Vaccari Neto, ao responder pergunta da deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO) durante sessão da CPI da Petrobras, admitiu ser submetido a um teste com detector de mentiras. “Eu já disse aqui estar à disposição das autoridades”, disse.

Ao ser questionado sobre as declarações do ex-gerente de Serviços e Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco, de que fazia pedidos de empreiteiras a dirigentes da Petrobras, Vaccari Neto afirmou: "As declarações do senhor Pedro Barusco, nos termos que está na delação premiada, no que se refere a minha pessoa, não são verdadeiras. E ele também não é das minhas relações", disse repetidamente Vaccari.

O tesoureiro do PT disse ainda que está à disposição caso a comissão queira promover uma acareação entre ele e Barusco, que o acusou em depoimento de receber propinas de empresas contratadas pela estatal relativas a cerca de 90 contratos da Petrobras. Segundo Barusco, Vaccari teria recebido algo entre 150 e 200 milhões de dólares, dinheiro recebido em nome do PT. Vaccari respondeu que faria acareação após pergunta do deputado Bruno Covas (PSDB-SP), 2º sub-relator da CPI.

Vaccari negou qualquer arrecadação ilegal feita pelo PT e disse que só conheceu Barusco quando este já tinha deixado a Petrobras. “As afirmações dele não são verdadeiras”, disse.

A CPI da Petrobras ainda não aprovou requerimento de acareação entre Vaccari e Barusco.

Sampaio, ao interrogar Vaccari, disse que este tinha inovado ao tratar de propinas. “Existem relatos de que o senhor recebeu propinas por intermédio de um mensageiro de moto que foi ao diretório nacional do PT. Inventou o propina delivery”, disse Sampaio. “E também inovou ao fazer uma troca de propina com Pedro Barusco, que tinha uma propina a receber de uma empresa com quem o senhor tinha boas relações”, prosseguiu, remetendo aos depoimentos da delação premiada de Barusco à Justiça Federal.

“O senhor tinha intimidade com Barusco?”, perguntou Sampaio. Diante da negativa, o deputado não conteve a irritação: “Acha que nós somos palhaços?”.

O deputado Onix Lorenzoni (DEM-RS) chamou Vaccari Neto de mentiroso. "O senhor mentiu aqui hoje. Se o senhor estivesse na condição de acusado, iria sair daqui algemado". "O senhor era operador petista, orientado por Jose Dirceu, para saquear, roubar a Petrobras". Segundo Lorenzoni, os encontros de Vaccari Neto com empresários, começaram antes mesmo do petista assumir o cargo de tesoureiro do partido em 2010. 

Questionado pelo deputado Julio Delgado (PSDB-MG), Vaccari Neto definiu a sua relação com Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, como "amistoso social". 

"O meu relacionamento com Renato Duque é amistoso social. É uma pessoa com qual eu gosto de conversar e discutir politica. É uma relação que eu exerci, hoje não exerço mais, amistosa".

Ao deputado Ivan Valente (Psol-SP), o tesoureiro disse não ser amigo de Duque. "Não digo que era amigo dele porque nunca fui a casa dele".

Quando o deputado Delegado Waldir fez perguntas ao tesoureiro do PT, acusando Vaccari e o partido de roubar o Brasil, a deputada Maria do Rosário questionou se o deputado "passou no psicotécnico". Vaccari por sua vez disse que não aceitava as acusações.

Confusão

A CPI na Câmara dos Deputados começou sem a presença do acusado, que chegou por volta das 10h40 ao plenário. Houve uma grande confusão no momento da entrada de João Vaccari Neto, quando foram soltos ratos na sala. Foi chamada a Polícia Legislativa.

Na quarta-feira (8), o ministro Teorizi Zavascki, do STF, autorizou o petista a comparecer à comissão na condição de acusado, e não de testemunha. Assim, ele poderia ficar calado durante toda a sessão. 

Vaccari afirmou que poderia se calar, devido à decisão do STF, mas que tem respondido a todas as perguntas. "Respondo porque tenho dito que estou à disposição das autoridades nas investigações".

A principal linha de defesa de Vaccari, comoadiantou o Poder Online, será demonstrar que as mesmas empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato fizeram a doações a vários outros partidos, inclusive ao PSDB, usando o mesmo modelo.

CPI da Petrobras

A CPI já ouviu o ex-gerente geral da refinaria Abreu e Lima, Glauco Legatti, os ex-presidentes Graça Foster e José Sérgio Gabrielli, o ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque e o ex-gerente-executivo da Diretoria de Serviços da estatal Pedro Barusco. Voluntariamente, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também prestou esclarecimentos sobre as acusações de suposto envolvimento dele no esquema.

O empresário Augusto Mendonça Neto, da empresa Toyo Setal, será ouvido no dia 14 de abril. Em delação premiada, ele disse ter pago propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, dinheiro que seria destinado ao PT. Segundo ele, o partido teria recebido ó de desvios das obras da Refinaria do Paraná (Repar), entre 2008 e 2011, R$ 4 milhões.

No cronograma também está previsto o depoimento do presidente do BNDES, Luciano Coutinho no dia 16. O banco financiou a criação da empresa Setebrasil, empresa acusada de subcontratar estaleiros que teriam efetuado o pagamento de propinas.

 
 


 

IG