Hospitais sofrem com falta de medicamentos para tratar o câncer

Hospitais sofrem com falta de medicamentos para tratar o câncer
Unidades de saúde federais e estaduais do Rio estão sofrendo com falta de medicamentos para o tratamento do câncer. Um dia após verificar que havia problemas no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, o RJTV esteve no Hospital Federal de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, e viu que tratamentos tiveram que ser interrompidos.
 
"A gente acha que vai morrer. Agora, volta a sensação de que a gente não tem muito tempo", disse Simone Mattos, paciente com câncer de mama. Ela só pode fazer a cirurgia depois de oito ciclos de quimioterapia. As duas primeiras sessões foram na data marcada. A de julho, no entanto, atrasou 15 dias, e a de agosto não tem data para acontecer.

 

 

"Estou em desespero. A doença vai ficando mais grave porque o tumor aumenta e posso ter até metástase", disse ela.
 
O problema é na farmácia do hospital. Faltam medicamentos essenciais para quem faz quimioterapia. Sem eles, vários pacientes tiveram que parar o tratamento, justamente numa fase em que o tempo é essencial para recuperação. A defensoria pública da união diz que o problema não é falta de dinheiro, e sim falta de planejamento.  Segundo o órgão, o hospital recebeu em 2015 a verba esperada, de R$ 151 milhões. Esse ano, até agora, foram quase R$ 70 milhões.

 

 

"Há um erro básico de planejamento. Eles preferem aguardar acabar do que pedir outro medicamento, dispensam processo licitatório e compram medicamentos com preços bem acima do mercado", afirmou o defensor público Daniel Macedo.
 
A direção do Hospital Federal de Bonsucesso disse que conseguiu com o Inca os medicamentos docetaxel e paclitaxel, e que começou a chamar os pacientes para que eles possam continuar o tratamento. A direção disse ainda que já tinha providenciado a compra dos remédios, mas os fornecedores não tinham estoque. Segundo a nota, os fornecedores se comprometeram a regularizar a entrega ainda esta semana.
 
'Tenho medo de perder para a doença'
No Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, o RJTV acompanhou a história de Andreia Almeida, que tem câncer no fígado, no pulmão, na coluna e nos ossos. Ela se surpreendeu ao chegar no hospital, na última quinta-feira (25), e descobrir que não ia poder fazer a quimioterapia porque o medicamento Docetaxel está em falta.

 

"Me disseram que não tinha o remédio e que há duas semanas as medicações estavam presas na alfândega. Também não não uma previsão para a chegada dos remédios. Tenho medo de perder para a doença", lamentou Andreia.

Ao ligar para o hospital, a paciente foi avisada por uma funcionária do hospital que não existe uma data para o recebimento do medicamento. A funcionária ainda chegou a dizer que é igual papagaio, que "só escuta e repete o que falam". 

Para a paciente Maria Clara, que tem câncer de mama, faltavam apenas mais duas sessões para terminar a quimioterapia, até que ela descobriu, há duas semanas, que o remédio está em falta. 

A filha de Maria Clara Paes procurou o hospital, mas a ouvidoria mostrou um ofício da empresa que fornece o remédio, que relata que a culpa da falta do remédio é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Uma greve de funcionários estaria atrasando a liberação do docetaxel. A Anvisa informou que não existe nenhuma greve e que a última aconteceu há quatro anos. 

"A gente não sabe o que vai acontecer. Como vai ser nosso tratamento? Eu quero viver, quero poder conhecer meus netos. A gente tenta viver com dignidade, mas se não temos nosso tratamento, não estamos tendo dignidade", disse Maria Clara, emocionada.

 

 

G1