Guias de candidatos para Senado apresentam programas frios de Wilson e Lucélio. Maranhão mostra acertos

Guias de candidatos para Senado apresentam programas frios de Wilson e Lucélio. Maranhão mostra acertos

O segundo guia para os candidatos do Senado da Paraíba, apresentado nesta sexta-feira (22), tem sérios problemas. O programa deixou mais patente uma certa frieza das equipes de marketing dos candidatos, as voltas com que parece serem candidatos duros, tensos e com pouca desenvoltura frente as câmeras. Os pequenos partidos foram diretos, e nesse formato adotaram a estratégia de serem curtos e rápidos no recado. Todavia, os grandes partidos como o PT e o PTB – este segundo da coligação de Cássio – deixaram claro que precisam melhorar rapidamente o guia para dar mais vida aos candidatos. Em contrapartida, o PMDB mostrou um fôlego, leveza e poesia insuspeita.

O primeiro guia do PROS, trouxe a candidata Leila Fonseca com apenas uma música animadinha com inspiração algo messiânica. “Tudo que a gente precisa é ter fé, o nosso amanhecer abre melhor se hoje a gente acreditar. Basta olhar quem está perto e lutar com sinceridade. Alguém que pode fazer diferente... (...) É Leila senadora”. Foi só isso, recheado de imagens da candidata.

A candidata Rama Dantas (PSTU), com seu pouco tempo a frente das câmeras, apenas sinalizou que nos próximos programas apresentará o que chamou de “o descaso com segurança em nosso estado”.

Nelson Júnior (PSOL) e Walter Brito Neto (PTC) também não trouxeram novidade. Requentando o guia que já havia sido apresentado na quarta-feira, Júnior repisou críticas ao “status quo” e Walter Brito voltou a prometer gás para implantar um Hospital no Sertão em caso de eleito.

Apesar de rápidos e pouco mostrarem a que vieram, não foram os guias do PSTU, PROS, PTC e PSOL que deixaram patente uma maior dificuldades, até por não tem terem tempo e optarem por ‘vender’ a candidatura de forma mais direta, eles foram corretos. Todavia, os guias de Wilson Santiago (PTB) e Lucélio Cartaxo (PT) foram os que renderão momentos mais desconfortáveis.

O programa de Wilson Santiago procurou dar ênfase em projetos para o semiárido. “Já apresentei no Congresso emenda constitucional que cria a zona franca do semiárido que terá o mesmo efeito da zona franca de Manaus” , informou o candidato explicando que a Zona Franca distribuirá incentivos fiscais para as empresas que quiserem se instalar na área. “O Ministério do Trabalho calcula criação de 15 mil empregos. No período de 10 anos, serão 100 mil empregos”, garante. Wilson afirma ainda que a sede administrativa das empresas do semiárido será em Cajazeiras, mas as filiais da empresas em João Pessoa e Campina Grande também terão isenções. “Esse projeto pode e vai mudar a economia do semiárido”, frisa.

Um dos problemas do Guia de Wilson é o recurso de uma imagem embaçada atrás do candidato dando a ideia de uso de Chroma Key. Recurso onde parece que a pessoa está num local, mas na verdade está num estúdio. Não fica claro se é usado esse expediente, mas Wilson pula de cidade em cidade, durante o programa e os cortes rápidos ao invés de darem uma idéia de um candidato que percorre o estado, passam mais a ideia de algo que carece de unidade.

Outro ponto é o próprio candidato, que precisa mostrar mais empolgação na campanha. Nem mesmo quando ele pede o voto isso parece visível: “É preciso e é possível fazer mais. Criar a universidade federal do sertão. E levar a UPFB para Queimadas, Itaporanga, Catolé do Rocha, Uiraúna e outras cidades. Se merecer o seu voto, vou acompanhar e apressar a provação (desses projetos)”. Santiago parece apático, talvez até cansado pelo ritmo da campanha e a frieza do estúdio.

Salvam o guia as imagens de rua, com Cássio ao som de “Wilson está do meu lado”, clara menção ao candidato tucano, e povo nas ruas com as bandeiras e fazendo o W do candidato com as mãos. O vídeo termina com uma música simpática que recorre a linguagem poética: “Do Mar até o Sertão, tem Wilson em cada canto, pode ver, pode olhar”, procurando estabelecer a dimensão da contribuição do candidato em obras/emendas para o Estado.

O guia de Lucélio Cartaxo (PT) dá uma bola dentro: a rápida história (com belas imagens e iniciativa) do adolescente Antônio Carlos, conhecido como Pequeno, aluno da escolinha de futebol do Instituto Picolé de Manga, dirigido pelo candidato e um dos braços do Bloco de Carnaval Picolé de Manga.

A iniciativa é válida e bem vinda. Entretanto, após a aparição na tela da comunidade do Distrito Mecânico de João Pessoa, com o treinador (João Batista, o Torrado) afirmando que vive ali há 56 anos onde “felicidade não é você ter dinheiro, felicidade é você viver bem, estar bem”, surge um candidato duro e com pouca intimidade com as câmeras.

Ainda que tenha em sua defesa um bom argumento – falar de um projeto que não é recente, que é bom e útil, e use isso para frisar que não é igual aos outros políticos que querem apenas ocupar o poder sem fazer pela sociedade – Lucélio não consegue se mostrar convincente como o veículo dessa mensagem. O candidato parece se esforçar em demasia frente a câmera e precisa imprimir melhor a intenção no vídeo. Usa muito as mãos como apoio da oratória, o que depois de um certo tempo soa estranho. Precisa se soltar mais.

O programa de Zé Maranhão é o melhor até agora. No site do candidato é possível ver uma versão mais estendida do guia que está sendo veiculado na TV. Mas a contar pelo Guia, Maranhão parece largar na frente.

Deixando o candidato numa insuspeita liberdade. Sentado e a vontade, Maranhão discorre sobre a sua história enquanto várias fotos vão sendo reveladas e colocadas para secar num varal. Na versão do guia eleitoral, um narrador conta a trajetória de Maranhão, enquanto são reveladas e estendidas num varal fotos que exemplificam essa história.

Na versão estendida é o peemedebista que fala do pai, de ações do governo e da sua relação com o povo. A edição é primorosa, montando as histórias contadas pelo setentão Maranhão e ressaltando o que o candidato tem de melhor: a história de vida e as experiências nas gestões. Tudo sem números em demasia, nem imagens aceleradas, tão em voga ultimamente.

“Eu vou para o senado se Deus quiser continuar uma luta que inicie como constituinte, mas que não parou ainda. E só vai parar quando tivermos uma prestação de serviço de saúde justo. Hoje como candidato a senador eu tenho um retorno muito grande e tenho uma confiança muito grande que esse espírito de gratidão e de identidade dos paraibanos com a nossa história é que é o verdadeiro apoio que eu tenho. O grande partido na minha candidatura é o povo da Paraíba”. O vídeo (estendido) ainda conta com uma metáfora primorosa perto do final, onde um oleiro moldando um jarro aponta para uma relação de respeito, qualidades atribuídas ao candidato, juntamente com a capacidade de construir obras. A idéia é extremamente bela.

O guia termina com o próprio Maranhão mandando ver o seu recado: “Tenho dedicado á paraíba os mais importantes momentos da minha vida. Nas ruas, a cada abraço que recebo me inspiro a mais esse desafio. No Senado vou colocar toda a minha experiência a serviço da Paraíba”.