Grupo agride jornalistas na liberação Siniho e outros ativistas

Grupo agride jornalistas na liberação Siniho e outros ativistas

Um grupo que aguardava, na entrada do complexo de Gericinó, em Bangu, a saída de três ativistas beneficiados por um habeas corpus agrediu profissionais da imprensa que acompanhavam a movimentação no local. De acordo com informações da Globo News, eles tentavam impedir que fossem registradas imagens de Elisa Quadros, a Sininho; a coordenadora do programa de pós-graduação em filosofia da Uerj, Camila Jourdan; e Igor D’Icarahy, soltos por volta das 18h10m desta quinta.

Os três ganharam o benefício na noite desta quarta-feira, quando o desembargador Siro Darlan, da 7ª Câmara Criminal, mandou recolher os mandados de prisão contra os 23 ativistas denunciados por atos de vandalismo durante manifestações.

ADVOGADO CRITICA DEMORA NA SOLTURA

O advogado dos ativistas que estavam presos, Marino D'Icarahy, criticou a demora para a chegada dos alvarás de soltura e elogiou a atuação do desembargador:

- O Estado não tem a mesma urgência para soltar e para prender. Em vez disso, deveria ter mais cuidado para prender e mais urgência para soltar. Não estamos conseguindo com o Fórum de Bangu, então vamos até lá para saber o que está acontecendo, já que o oficial de Justiça ainda não chegou. A atuação do Siro Darlan, além de brilhante e honrada, foi muito corajosa - disse o advogado, antes da liberação dos ativistas.

D'Icarahy disse, ainda, que os três ativistas que seguiam presos não sofreram agressões físicas, mas assistiram a volências contra outros presos, o que, segundo ele, é uma tortura psicológica. O advogado afirmou, ainda, que não vai se pronunciar sobre provas apresentadas e as acusações feitas.

- Precisamos estudar o processo com mais de três mil páginas, que poderá ser considerado nulo. As provas, assim como certas testemunhas, não passam de vingança, e serão anuladas - disse D'Icarahy. - Essa prisão é uma vingança daqueles políticos que se sentiram atacados pelas manifestações e ocupações.

BELTRAME: POLÍCIA VAI CONTINUAR AGINDO

Nesta quinta-feira, o secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame disse que não vai comentar sobre a decisão do desembargador Siro Darlan. O secretário, que participou da cerimônia de formatura de 415 policiais civis, aproveitou para mandar recado para sociedade, dizendo que a polícia vai continuar atenta, trabalhando e que, se houver ações violentas em manifestações, vai agir quando for necessário.

- Isso não nos intimida. Continuamos trabalhando. A polícia fez um excelente trabalho na Copa. Quem vai dar a resposta sobre o inquérito policial é o julgamento final - disse.

O grupo foi denunciado pelo Ministério Público estadual por associação criminosa armada, com base em investigação da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), iniciada em setembro de 2013. Dezoito do total de denunciados eram considerados foragidos.

O outros dois presos no complexo de Gericinó são Caio Silva de Souza, o Dick; e Fábio Raposo Barbosa, o Fox; acusados da morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes, atingido por um rojão na cabeça durante protesto na Central do Brasil, em fevereiro deste ano. Como respondem a outro processo, por homicídio, Caio e Fábio permanecerão na cadeia.


 

O Globo