Greve fecha mais de 190 agências do INSS no país, segundo ministério

Greve fecha mais de 190 agências do INSS no país, segundo ministério

A greve dos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entra no segundo dia nesta quarta-feira (8). Segundo balanço do Ministério da Previdência Social divulgado na terça-feira à noite, das 1.605 agências do país, 196 estavam fechadas e 273 tinham atendimento parcial.

O ministério diz que 1.294 funcionários, do total de 32.487, aderiram à paralisação nacional por reajuste salarial e melhoria das condições de trabalho.

GREVE NO INSS

196 agências fechadas (12%)

273 com atendimento parcial (17%)

Adesão de 1.294 funcionários (4%)

Fonte: Balanço da Previdência Social de 7 de julho

Quem agendou atendimento em uma Agência da Previdência Social (APS) que está em greve deve ter a data remarcada, informa uma nota da Previdência.

O reagendamento será realizado pela própria APS, e o segurado poderá confirmar a nova data ligando para a Central 135 no dia seguinte à data originalmente marcada.

Para evitar prejuízos nos benefícios dos segurados, o INSS vai considerar a data originalmente agendada como a data de entrada do requerimento.

 

Negociações
Na nota, a Previdência diz que está aberta à negociação com os grevistas. "O Ministério da Previdência Social e o INSS têm baseado sua relação com os servidores no respeito, no diálogo e na compreensão da importância do papel da categoria no reconhecimento dos direitos da clientela previdenciária e, por isso, mantém as portas abertas às suas entidades representativas para a construção de uma solução que contemple os interesses de todos."
 

Os funcionários pedem um reajuste salarial de 27,5% imediato, com aumento gradual durante os próximos quatro anos.

Conforme Ricardo Sampaio, coordenador do comando de greve na Bahia, uma reunião foi feita na tarde de terça-feira com o Ministério do Planejamento, e outra deverá ocorrer no dia 21 de julho. "Essa greve pemanece até o dia 21. Eles ficaram de fazer uma proposta para então definirmos os rumos da greve", informou ao G1.

Em nota, o Ministério do Planejamento diz que propôs o reajuste de 21,3%, dividido em parcelas de 5,5% em 2016, 5% em 2017, 4,8% em 2018 e 4,5% em 2019. Ainda segundo o texto, as negociações irão continuar.

 

Estados
Nesta quarta, agências de 17 estados haviam aderido à paralisação: Amapá, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.
 

Veja a situação em cada um:

Servidores em greve na agência em Laranjal do Jari, no Amapá (Foto: Divulgação/Fenasps)Servidores em greve na agência em Laranjal do Jari,
no Amapá (Foto: Divulgação/Fenasps)

 

Pelo menos 120 atendimentos diários estão comprometidos com a greve dos funcionários do INSS, no município de Laranjal do Jari, distante 295 quilômetros de Macapá. A agência do município é a única entre as seis do estado que aderiu à mobilização nacional.
 
A diretora da Associação dos Servidores do INSS no Amapá, Renilda Pinto, explicou que os trabalhadores das maiores agências do estado, em Macapá e Santana, avaliam a forma de adesão ao movimento, se parcial ou total.

 

 

Os servidores na Bahia continuam em greve nesta quarta. Mais de 90% dos municípios no interior da Bahia e capital baiana aderiram à paralisação.

 

Segundo Ricardo Sampaio, coordenador do comando de greve no estado, todos os serviços da Previdência foram afetados, entre eles pedidos de aposentadorias, salários maternidade, auxílio-doença, auxílio-reclusão e seguro defeso. Além disso, todos os agendamentos foram cancelados.

 Além do reajuste, os servidores cearenses querem concurso público, incorporação das gratificações e 30 horas de trabalho semanais. (Foto: Reprodução/TV Verdes Mares)Servidores do INSS do Ceará estão parados
(Foto: Reprodução/TV Verdes Mares)

 

Cerca de 80% das agências do INSS no Ceará estão paralisadas nesta quarta. A informação é do Sindicato do Trabalho Previdência Social no Estado do Ceará (Sinprece). Há 87 unidades no estado, que atendem 4.500 pessoas por dia.

 

Quem buscou atendimento nos postos do INSS na capital encontrou agências fechadas. A principal agência de Fortaleza, na Rua Pedro Pereira, no Bairro Centro, está com as portas fechadas nesta quarta-feira.

 

Segundo o sindicato que representa a categoria em Goiás, 60% das pessoas que procuraram as agências do INSS tiveram que voltar para casa sem atendimento.

 

Muitos segurados não sabiam da paralisação. Um deles é o roçador José Francisco de Lima, que saiu de Alexânia para ser avaliado em uma agência de Anápolis, a 65 km de distância. Apesar de insistir, ele não foi examinado.

Existem 48 agências no estado. Do total, o Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde e Previdência de Goiás e Tocantins (Sintfesp-GO/TO) calcula que 29 aderiram totalmente ou parcialmente ao movimento.

Em agências do Maranhão, servidores colocaram faixas (Foto: Divulgação / Sintsprev-MA)Em agências do Maranhão, servidores
colocaram faixas (Foto: Divulgação / Sintsprev-MA)

 

A greve dos servidores atinge 30 das 43 agências do INSS no Maranhão. A paralisação atinge a capital maranhense, São Luís, e outros 13 municípios, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência do Estado do Maranhão (Sintsprev-MA), que está à frente do movimento.

 

Servidores da Procuradoria e Gerência do INSS em São Luís, também, aderiram ao movimento.

Servidores se reuniram na frente de uma agência do INSS, em Cuiabá (Foto: Cleones Selestino/ Presidente INSS-MT)Servidores na frente de uma agência em Cuiabá
(Foto: Cleones Selestino/ Presidente INSS-MT)

 

Com a greve, ao menos 6 mil pessoas deixaram de ser atendidas em Mato Grosso. Das 34 agências do INSS no estado, 27 estão fechadas. Três delas são em Cuiabá e em Várzea Grande, região metropolitana da capital. Em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, o atendimento está funcionando em 50%, segundo o sindicato no estado.

 

 

Cerca de 800 servidores estão com as atividades paralisadas nas cidades mato-grossenses reivindicando melhores condições de trabalho e reajuste salarial.
 

 

 

O sindicato em Minas diz que a adesão dos funcionários à greve cresceu neste segundo dia, mas a gerência da Previdência Social no estado não informou o balanço da paralisação.

 

Segundo a diretora do setor jurídico do sindicato, Maria Helena da Silva, em Belo Horizonte, as dez agências da capital estão fechadas e 90% dos funcionários, parados. O índice significa a totalidade de servidores administrativos. Os outros 10% seriam chefes e superintendentes.

No interior do estado, 72 agências estão com serviço suspenso. No Sul de Minas, 19 das 25 agências aderiram ao movimento. No Centro-Oeste, oito das 21 agências da região paralisaram as atividades. Segundo a gerência regional, em média, 660 pessoas deixam de ser atendidas por dia nas cidades de Divinópolis, Itapecerica, Itaúna, Pará de Minas, Monte Santo de Minas, São Sebastião do Paraíso, Passos e Formiga.

Ao todo, Minas Gerais tem 182 agências e 2.825 funcionários.

Segundo as informações da gerência executiva de Uberaba, no Triângulo Mineiro, as perícias técnicas continuam sendo feitas normalmente, mas os atendimentos espontâneos foram os mais prejudicados. Nas cidades de Frutal, João Pinheiro, Coromandel e Carmo do Paranaíba também há servidores paralisados por tempo indeterminado.

A paralisão também afeta agências em Juiz de Fora e outras cidades da Zona da Mata.

 

Em pelo menos 15 agências do INSS, localizadas em Belém e municípios do interior do estado, o atendimento foi suspenso totalmente. Nas demais, a adesão dos trabalhadores foi de até 80%, segundo o sindicato no estado. O Pará conta com 884 servidores lotados em 41 Agências da Previdência Social (APS).

 

Em Marabá, no sudeste do Pará, idosos ficaram revoltados com a falta de atendimento. A dona de casa Emília Fernandes acompanhou o pai, de 85 anos, à agência do município e reclamou que voltaria para casa sem ter resolvido o problema. "Tem que pagar táxi para ir e para vir, e não sei nem que dia pode voltar", lamenta.

Em Santarém, muitos usuários que procuraram atendimento na manhã desta quarta encontraram as portas fechadas e voltaram para casa sem atendimento. De acordo com o comando geral de greve local, 30% dos serviços estão sendo mantido, conforme determinado por lei. A unidade de Santarém atende, por dia, cerca de 400 pessoas vindas de 11 municípios da região.

 

A paralisação atinge 73 unidades do estado, e 80% dos servidores estão sem trabalhar, de acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência Social e Ação Social do Estado do Paraná (Sindprev).

 

Não existe um prazo para que os serviços voltem a ser prestados normalmente. Há aproximadamente 2 mil servidores noParaná, que realizam, conforme estimativa do sindicato, de 3 mil a 3,5 mil atendimentos por dia.

 

Os servidores ligados ao Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde e Previdência Social no Estado de Pernambuco (Sindsprev-PE) vão entrar em greve na próxima sexta-feira (10). A decisão foi tomada em assembleia realizada nesta semana.

 

Até lá, os postos da Previdência estão funcionando em esquema de "operação-padrão", recebendo apenas os atendimentos agendados. Há 1,6 mil servidores do INSS em todo o estado e quase 550 agências.

Os servidores das agências em Petrolina, Sertão pernambucano, devem aderir à greve nacional a partir da sexta-feira (10).

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Servidores em greve cobram reposição de perdas salariais (Foto: Reprodução/TV Clube)Servidores em greve cobram reposição de perdas
salariais em Teresina (Foto: Reprodução/TV Clube)

 

O sindicato que representa os servidores e a superintendência do INSS divergem sobre os efeitos do movimento nas 32 agências do Piauí.

 

De acordo com o sindicalista Antônio Machado, todas as unidades do estado estão paradas, fazendo apenas serviços estritamente necessários, como pagamentos e perícias já agendadas. Já o superintende do INSS noPiauí, Carlos Augusto Viana, disse que a maioria das agências está funcionando normalmente, principalmente as do interior.

 

As agências do INSS no Rio Grande do Norte só estão abrindo para casos emergenciais. Todas as 37 agências do estado estão parcialmente fechadas por causa da greve, e 82% dos servidores do Nordeste aderiram à greve, segundo o sindicato do RN.

 

Ainda de acordo com o Sindprevs-RN, são realizados 400 atendimentos, em média, por dia no estado. Dessa demanda, apenas 10% é de atendimento emergencial. "Solicitação de seguro-desemprego e concessão de aposentadoria, por exemplo, não são atendimentos emergenciais e não serão realizados no período de greve", informou o sindicato.

Desde terça-feira, atendimentos são afetados em agências no RS (Foto: Reprodução/RBS TV)Desde terça-feira, atendimentos são afetados em
agências no RS (Foto: Reprodução/RBS TV)

 

Os atendimentos estão afetados, principalmente, nas nove agências regionais do estado. Destas, apenas Caxias do Sul, de forma parcial, e Ijuí realizam procedimentos.

 

Em Porto Alegre, Novo Hamburgo, Santa Maria, Passo Fundo, Uruguaiana e Pelotas, a população encontra agências fechadas. Entre os serviços que podem ser afetados estão encaminhamento de aposentaria, encaminhamento de auxílio-doença, emissão de certidão de tempo de contribuição e consulta de perícias médicas agendadas.

 A categoria ainda não divulgou o balanço de adesão nesta quarta-feira. Na terça, a estimativa é que 86% dos cerca de dois mil servidores no Rio Grande do Sul tenham paralisado as atividades.

 

RIO DE JANEIRO
Na Região dos Lagos, já são quatro cidades onde agências do INSS estão funcionando com apenas 30% do efetivo: Macaé, Saquarema, Arrarial do Cabo e Maricá. Segundo o Sindsprev da região, estão sendo mantidos os serviços básicos garantidos por lei. A exceção é Saquarema, onde a agência está realizando também os atendimentos que já estavam agendados.

 

 

O comando da greve em Santa Catarina estima que cerca de 2 mil atendimentos deixaram de ser realizados no estado no primeiro dia de greve (terça). Cerca de 10% das agências ficaram totalmente fechadas.

 

De acordo com os sindicalistas, a adesão de médicos peritos tem grande impacto nos atendimentos. Como o tamanho das agências varia, o Sindprevs/SC estima uma adesão de 60% dos funcionários da Previdência – o que significaria 4,2 mil dos 7 mil funcionários no estado.

 

SÃO PAULO
Agências continuam fechadas ou fazendo atendimento parcial na capital, no litoral e no interior de São Paulo.

 

Os postos de atendimento em Guarujá, Itanhaém e Peruíbe, no litoral de São Paulo, e o de Miracatu, no Vale do Ribeira, continuam sem atendimento. Dos 14 postos distribuídos entre as cidades da Baixada Santista e do Vale do Ribeira, quatro deles têm paralisação total e apenas um, o de Praia Grande, realiza atendimento parcial.

Funcionários do INSS em Piracicaba retomaram o atendimento na única agência do município nesta quarta-feira. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência do Estado de São Paulo (Sinsprev), os servidores farão uma assembleia na sexta (10) para decidir se vão entrar definitivamente em greve na próxima semana.

Em Campinas, são feitas perícias que já haviam sido agendadas em uma das agências da cidade, de acordo com o sindicato regional. As outras três permanecem fechadas nesta quarta.

As agências de Botucatu, Bauru e Igaraçu do Tietê também aderiram ao movimento. Os servidores de Marília, Tupã e Jaú analisam se vão  entrar em greve na segunda-feira (13).

A greve tem 30% de adesão dos funcionários da unidade de Itaquaquecetuba nesta quarta. O sindicato no estado afirmou que o atendimento nas agências de Mogi das Cruzes e Suzano é normal.

 

No Tocantins, duas agências aderiram, a de Arraias, que paralisou todos os serviços, e a de Araguatins, onde alguns serviços foram suspensos.

 

A diretora de organização e política sindical do Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde e Previdência de Goiás e Tocantins (Sintfesp-GO/TO), Terezinha de Jesus Aguiar, disse que quer fortalecer o movimento no estado. "Nosso objetivo é massificar e orientar os servidores para somar. Nós estamos buscando a adesão de mais agências para fortalecer o movimento."

 

 

 

G1