Greve continua na UFPB e Consepe vai discutir suspensão do calendário

Greve continua na UFPB e Consepe vai discutir suspensão do calendário

Em assembleia realizada nesta quarta-feira (15/7), nos campi de João Pessoa e Bananeiras, os professores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) aprovaram a continuidade da greve da categoria, iniciada no dia 28 de maio. Dos 130 docentes que participaram das duas reuniões, 87 votaram em favor da manutenção do movimento e nenhum foi contrário. Houve, ainda, uma abstenção.

Em João Pessoa, 104 professores assinaram a lista de presença e 61 votaram pela continuidade da greve. Já em Bananeiras, foram 26 professores e a manutenção do movimento grevista foi aprovada por unanimidade.

As assembleias também aprovaram o texto de um documento elaborado pelo Comando Local de Greve (CLG) a ser apresentado ao Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) durante reunião extraordinária que acontecerá às 9h desta quinta-feira (16/7), no prédio da reitoria.

Nele, o CLG pede a suspensão imediata do calendário da UFPB retroativa ao início da greve. A medida é uma forma de dar mais segurança ao alunado, tendo em vista que algumas atividades acadêmicas continuaram sendo realizadas apesar da greve. Com a suspensão do calendário, essas atividades efetivamente não teriam validade.

Além disso, o texto elaborado pelo CLG pede que o Consepe se posicione contrário a todos os cortes que vêm ocorrendo nas verbas para ensino, pesquisa e extensão em todas as instituições federais de ensino. Veja o texto completo abaixo.

Outras deliberações aprovadas na assembleia de João Pessoa foram: solicitar ao Andes (Sindicato Nacional dos Docentes) o encaminhamento de todas as contrapropostas elaboradas pelas seções sindicais do país para apreciação da categoria e socializar a informação por meio de comunicado do CNG; participação do Comando Local de Greve na Caravana a Brasília, que será realizada dia 22 de julho; definição do nome do professor Arturo Gouveia como novo delegado da UFPB no Comando Nacional, e próxima assembleia no dia 24 de julho (sexta-feira).

Já em Bananeiras, os docentes ainda aprovaram por unanimidade a proposta de elaboração de um documento aos parlamentares da Paraíba, a fim de que o Comando de Greve leve o documento até a esfera nacional e o exponha ao Congresso.

 

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* Documento a ser apresentado ao Consepe em reunião extraordinária na quinta-feira:

A GREVE DOS DOCENTES DA UFPB E SEUS DESDOBRAMENTOS DE CUNHO ACADÊMICO

 

Os docentes da UFPB, em histórica assembleia geral que contou com mais de 700 participantes, realizada nos dias 26 e 27 de maio, iniciaram, a partir de 28 de maio, uma greve por tempo indeterminado, que tem como pauta uma campanha salarial, em conjunto os demais servidores públicos federais do Poder Executivo, e questões de caráter mais específico, predominantemente relativas a benefícios, verbas, carreira e condições de trabalho, consolidados em eixos no 34º Congresso do ANDES-SN.

Em sua reunião de 30 de junho, o Conselho Universitário da UFPB deliberou por posicionar-se favoravelmente ao movimento dos professores encaminhando esta sua percepção ao MEC e conclamando as partes à construção de um processo efetivo de negociação.

O fato de o órgão máximo definidor das políticas de nossa Universidade ter assumido tal postura, a nosso ver, implica, no âmbito institucional, a deflagração de um conjunto de medidas que expressem, no escopo de cada uma delas, a incorporação da decisão do CONSUNI pela UFPB.

É claro que, no caso do CONSEPE, as referidas medidas terão como missão adicional articular aos propósitos anteriormente caracterizados a sua leitura das recentes medidas, extremamente danosas à UFPB, do ponto de vista acadêmico, tomadas pelo governo da dita Pátria Educadora. A título de ilustração, consideramos necessário relembrar os cortes infligidos ao MEC pelo ajuste fiscal, atingindo diretamente as IFES, e mais especificamente a brutal redução prevista no orçamento da CAPES.

Mais ainda, nas mãos do CONSEPE, neste exato momento, está colocada a responsabilidade de assegurar, no pós-greve, uma normalidade institucional – tranquilidade, na verdade, seria um termo também adequado. Isto permitirá, dentro dos difíceis limites já identificados e a partir do tratamento dado pela Instituição ao período de duração da greve, otimizar as possibilidades de uma convivência tão harmoniosa quanto possível, dos segmentos integrantes da comunidade universitária e do fluxo do debate das questões político-acadêmicos verdadeiramente relevantes pela UFPB. E, desse modo, evitar o tratamento de questões menos significativas, mas que se tornariam incontornáveis, caso as diretrizes emanadas pelo CONSEPE fossem inadequadas e agudizassem alguns atritos que, diga-se de passagem, já se fazem presentes no cenário institucional.

Com esses aspectos em mente, os docentes reunidos em Assembleia Geral no dia 15 de julho de 2015 vem reivindicar desse CONSEPE:

- Suspensão imediata do Calendário retroativa a 28/5/15;

- Posicionamento contrário aos diversos cortes impostos sob o “guarda-chuva” do ajuste fiscal que atinjam de algum modo a UFPB, explicitando à comunidade universitária as implicações dos cortes nas atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão desenvolvidas pela nossa IFES.

 

 

 

 

Assessoria