Governo investiga casos de microcefalia na Paraíba

Governo investiga casos de microcefalia na Paraíba

A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB) está investigando a situação epidemiológica da microcefalia (bebês nascem com cabeça menor do que o normal) no Estado. Para tanto, a Secretaria divulgou uma Nota, nesta quinta-feira (12), solicitando que todos os serviços de saúde, públicos e privados, comuniquem imediatamente os casos da doença. De acordo com a SES, foram registrados no sistema oficial de informação três ocorrências no Estado: Cabedelo, São Miguel de Taipú e Sapé.

No entanto, outros seis casos já foram confirmados pela Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande, que ainda não enviou os dados ao governo estadual. O problema veio à tona durante coletiva de imprensa do ministro da Saúde, Marcelo Castro, na última quarta-feira (11), quando foi declarado estado de emergência em saúde pública de importância nacional, tendo em vista o aumento de casos da doença no Nordeste. 

Dados do governo estadual confirmam que houve um aumento do número de casos entre 2013 (com 3 casos) e 2014 (com 5 casos). João Pessoa e Sapé têm mais de um registro desde 2011, com três confirmações na capital (sendo duas em 2012 e uma em 2014) e duas em Sapé (uma em 2013 e outra em 2015).

Na Nota, divulgada nesta quinta-feira, a SES informa que no mês passado profissionais da área de obstetrícia que atuam na Paraíba comunicaram à Secretaria a ocorrência de aumento de casos de microcefalia nos serviços e a partir daí passou-se a discutir a situação epidemiológica dos casos reportados de microcefalia pós-natal e intrauterino.

"Para tanto, ficou definido a construção de um instrumento de notificação para consolidar dados clínicos, epidemiológicos e diagnósticos desses pacientes, visando identificar possível alteração do padrão epidemiológico da microcefalia e fatores relacionados à sua ocorrência", diz a Nota. A Secretaria de Estado da Saúde informou que vai promover, nesta sexta-feira (13) uma reunião com a equipe técnica para tratar da situação.

A microcefalia é uma anomalia que se caracteriza por um crânio de tamanho menor que o da média. O Ministério foi acionado pela Secretaria de Estado da Saúde de Pernambuco, que observou o aumento da anomalia nos últimos quatro meses. Foram identificados 141 casos em recém-nascidos em 44 municípios de Pernambuco este ano. De acordo com o MS, a média de casos para o estado era de dez por ano, o que representa um aumento incomum. Nas crianças e nas gestantes, estão sendo realizados exames clínicos, de imagem e laboratorial, conforme protocolo definido pelo Ministério da Saúde e  Secretaria de Saúde de Pernambuco. É importante esclarecer que as investigações estão em andamento e, até o momento, não há definição da causa do agravo, seja infecciosa ou não. 

O Ministério da Saúde informou que recebeu relatos dos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte sobre o mesmo assunto e que todas as suspeitas estão sendo investigadas e contam com o monitoramento de equipes. 

Dados da Paraíba - Dos casos registrados no sistema oficial de informação (um em Cabedelo, um em São Miguel de Taipú e um em Sapé), um evoluiu para o óbito, mas a causa básica do óbito não foi relacionada à microcefalia e sim à ausência congênita dos dois rins.

Entenda a microcefalia - Em nota enviada à imprensa, o Ministério da Saúde ressaltou que a microcefalia não é um agravo novo. Trata-se de uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Na atual situação, a investigação da causa é que tem preocupado as autoridades de saúde. Neste caso, os bebês  nascem com perímetro cefálico (PC) menor que o normal, que habitualmente é superior a  33 cm. Esse defeito congênito pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como as substâncias químicas, agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação. 

Crianças que nascem com microcefalia podem ter o desenvolvimento cognitivo debilitado. Não há um tratamento definitivo capaz de fazer com que a cabeça cresça a um tamanho normal, mas há opções de tratamento capazes de diminuir o impacto associado com as deformidades. 

Estado de Emergência - Segundo o Ministério da Saúde, o estado de emergência em saúde pública garante que os serviços de saúde tratem a questão da microcefalia com prioridade. A investigação das possíveis causas do aumento vai ser feita em conjunto por equipes do Ministério da Saúde e dos governos estaduais e municipais. 

O Ministério da Saúde também ativou, na terça-feira (10), o Centro de Operações de Emergência em Saúde (COES), em Brasília. Trata-se de um mecanismo de gestão de crise, que reúne as diversas áreas que podem concorrer para resposta a esse evento de forma que o assunto seja tratado como prioridade. A investigação da causa é que tem preocupado as autoridades de saúde.

 

 

 

Clcik PB