Governo Federal e estados cancelam abertura de concursos públicos

Governo Federal e estados cancelam abertura de concursos públicos

A crise econômica fez o Governo Federal e alguns estados cancelar a abertura de novos concursos públicos no ano que vem. A Sala de Emprego desta segunda-feira (9) mostra qual é a perspectiva para quem aposta na carreira de funcionário público. Tanto a União como os governos estaduais garantem que os concursos que já foram autorizados vão ser feitos. O que não vai acontecer é a abertura de novas vagas.

Em um cursinho especializado em concursos o ritmo não mudou. Os estudantes se preparam para um concurso que já foi autorizado e o edital deve sair ainda em dezembro. É para o INSS. Em outra sala, os alunos estudam para o Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que terá prova no dia 20 de dezembro.

A economista Cristiane Nascimento já até passou em uma prova, mas não chegou a ser chamada. Agora, com as filhas maiores, retomou os estudos. Ela quer estabilidade e um bom salário.

O motivo para o Governo não autorizar a abertura de novas vagas para nenhum concurso federal é a previsão do orçamento para o ano que vem, que está negativa. O corte nos concursos foi uma das formas que o governo encontrou de economizar R$ 1,5 bilhão. Na prática, isso significa 40.398 vagas a menos para 2016 nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Nos últimos anos, a quantidade de concursos vem diminuindo. Em 2015, por exemplo, o governo autorizou apenas 4.800 vagas. Isso em concursos em andamento e outros esperando edital. No ano passado foram mais de 20 mil.

Segundo o professor de cursinho Wellington Antunes, o boom dos concursos foi entre 2012 e 2013 e, mesmo com o corte do ano que vem, não é para desistir de jeito nenhum.

 

Além do Governo Federal, alguns governos estaduais também suspenderam a realização de novos concursos em 2016, entre eles São Paulo e Rio Grande do Sul. o objetivo também é conter os gastos. Em Santa Catarina, não houve cancelamento, mas nenhum foi autorizado no ano que vem e, em boa parte dos estados, não houve uma medida, como um decreto para suspender  os concursos, mas a previsão é que poucos sejam realizados.
 
Cursinhos preparatórios
O aumento do desemprego levou mais gente a apostar na carreira de funcionário público. As salas dos cursos especializados na preparação dos candidatos estão cada vez mais cheias. Agora, alguns desses cursinhos criaram um novo serviço: a do orientador profissional, que dá dicas para o aluno escolher qual o concurso mais indicado para o perfil dele.

 

A procura por essas aulas aumentou nos últimos dois meses e as salas estão mais cheias. “Se comparado à mesma época do ano passado, a gente tem um crescimento médio de 15% de matrículas, ou seja, tem gente querendo começar agora a se preparar para concurso público, então a crise no concurso publico é oportunidade”, afirma Marco Antonio Araujo, vice-presidente acadêmico do Damasio.

Como nem todo candidato a funcionário público sabe que rumo tomar, um cursinho em São Paulo testou no mês passado o programa de orientação profissional. Durante três dias, os estudantes em dúvida tiveram sessões particulares com profissionais para decidir qual o concurso deveriam prestar. “Muitos só querem por conta da remuneração e da estabilidade. Eles querem passar em qualquer concurso e a única coisa que nós podemos fazer é orientar o que é melhor para a carreira dele, para o perfil dele”, explica Michele Bento, orientadora educacional.

O professor Nestor Távora, coordenador de cursos preparatórios para concursos públicos, participou de um bate-papo e respondeu dúvidas sobre o tema. Confira a íntegra da conversa no vídeo acima.

 

 

G1