Governo e oposição duelam por criação de CPIs no Senado 23

Governo e oposição duelam por criação de CPIs no Senado 23

 O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deu seguimento nesta terça-feira (1º) à criação da CPI da Petrobras composta apenas por senadores. A leitura do requerimento na sessão plenária, exigência do regulamento da Casa, foi feita  pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Nesta mesma sessão. outro requerimento de CPI, apresentado pelo PMDB, partido da base aliada, também foi lido em plenário pedindo que sejam investigadas, além das questões sobre a Petrobras, as denúncias de cartel nos metrôs no Estado de São Paulo e do Distrito Federal.

A partir da leitura, os senadores têm até às 23h59 desta terça-feira (1º) para retirar suas assinaturas. A CPI só é considerada instalada depois da primeira reunião, com a eleição do presidente da comissão. O prazo para os partidos indicarem membros para o colegiado é de 15 dias.


Numa contraofensiva, logo em seguida o PT apresentou uma questão de ordem questionando o requerimento sob o argumento de que os fatos não teriam relação entre si.

Segundo o documento lido pela senadora e ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR), a oposição propõe uma "investigação generalizada nos últimos dez anos, uma verdadeira devassa", o que seria uma "afronta ao devido processo legal".

Renan, que, como presidente do Senado, tem a prerrogativa de decidir se acata a questão de ordem, informou que só irá dar sua respostas na sessão de amanhã.

Os pontos listados no requerimento da CPI, apresentado pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR), são:

- a "negociata" da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos;

- se funcionários da Petrobras receberam propina de uma empresa holandesa para fechar contratos de aluguel de plataformas do pré-sal;

- a suspeita de superfaturamento de refinarias; e

- o lançamento de plataformas sem todos os equipamentos de segurança.

Se aceita, a questão de ordem de Gleisi abre uma brecha para petistas incluírem, como retaliação, outros temas para serem apurados pela CPI, como o escândalo do cartel dos metrôs e trens em São Paulo, sob gestão tucana.

Da tribuna, o líder do PSDB no Senado, Aloyzio Nunes Ferreira (SP), saiu em defesa do requerimento e, dirigindo-se a Gleisi, pediu que "deixasse a oposição fazer o seu papel".

O líder do DEM, senador José Agripino (RN), rebateu a alegação da questão de ordem dizendo "que a conexão entre os fatos é evidente".

Em seguida, o presidente nacional do PSDB e potencial candidato ao Planalto em outubro, senador Aécio Neves (MG), afirmou que o seu partido não teme investigação alguma e provocou a colega Gleisi Hoffmann, segundo ele, num exercício para "entender as manifestações políticas", questionando se ela assinaria o requerimento se dele constasse apenas um pedido de investigação sobre a refinaria de Pasadena. Aécio disse ainda que, se era passa fazer investigações, que se apurasse os "financiamentos secretos do BNDES para países amigos".

Uol