Folha lista paraibano entre os cotados para suceder Cunha na presidência da Câmara

Folha lista paraibano entre os cotados para suceder Cunha na presidência da Câmara

Reportagem publicada neste domingo (12) pelo Jornal Folha de S.Paulo lista o deputado paraibano Aguinaldo Ribeiro (PP) entre os cotados para suceder o presidente afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no comando da Câmara Federal a partir do próximo ano.

Conforme a reportagem, além de Aguinaldo Ribeiro, três outros deputados surgem com força para comandar a Câmara a partir de fevereiro de 2017 – data das próximas eleições para a cúpula da instituição -, e para indicar um presidente-tampão até lá caso haja necessidade de eleição antes disso.

“O primeiro é Rogério Rosso, ex-governador tampão do Distrito Federal e líder do PSD de Gilberto Kassab. Ele presidiu a comissão que aprovou o parecer a favor ao impeachment de Dilma. Outro é Jovair Arantes (GO), líder da bancada do PTB e relator da comissão do impeachment. Ambos têm boa relação com Cunha”, diz trecho da reportagem da Folha.

“Outros nomes são os de Aguinaldo Ribeiro (PB), líder do maior partido do ‘centrão’ o, o PP, e o próprio André Moura, que, apesar de ser do nanico PSC, aposta na influência de Cunha e na projeção como líder do governo Temer”, acrescenta a reportagem.

Clique aqui ou leia abaixo a reportagem completa publicada pela Folha de S.Paulo

Unido, novo ‘centrão’ pauta governo Temer e planeja comandar Câmara

Vinte e sete anos após o fim da aliança homônima que deu um novo significado ao “é dando que se recebe” da oração de São Francisco de Assis, o ‘centrão’ ressurge com força de pautar votações e rumos do governo Michel Temer, além de trabalhar para se consolidar no comando da Câmara dos Deputados.

Formado por PP, PR, PSD, PTB, PRB, SD, PTN e outras seis siglas menores, o grupo reúne 218 deputados e se consolidou sob a influência – ainda presente – do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Com poucas dissidências, é a força política mais importante da Casa e trabalha para comandá-la nos próximos anos. Mesmo após o afastamento de Cunha no dia 5 de maio pelo STF (Supremo Tribunal Federal), mostrou força em três ocasiões claras.

A primeira foi ao derrotar o DEM e emplacar o ‘cunhista’ André Moura (PSC-SE) como líder do governo, embora o governo preferisse um nome que não trouxesse na testa uma ligação tão evidente com Cunha. Depois, obrigou o hesitante presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), a abrir mão de comandar as sessões plenárias, tarefa atualmente nas mãos de Giacobo (PR-PR).

O próprio Maranhão é de um partido do ‘centrão’, mas não é alinhado à sua ala majoritária nem a seus líderes. Por fim, o grupo foi o principal condutor na Câmara e no Planalto da aprovação, apesar da resistência da área econômica de Temer, de um megapacote de reajuste do funcionalismo público.

Quatro nomes dessa aliança surgem com força para comandar a Câmara a partir de fevereiro de 2017 – data das próximas eleições para a cúpula da instituição -, e para indicar um presidente-tampão até lá caso haja necessidade de eleição antes disso.

O primeiro é Rogério Rosso, ex-governador tampão do Distrito Federal e líder do PSD de Gilberto Kassab. Ele presidiu a comissão que aprovou o parecer a favor ao impeachment de Dilma. Outro é Jovair Arantes (GO), líder da bancada do PTB e relator da comissão do impeachment. Ambos têm boa relação com Cunha.

Outros nomes são os de Aguinaldo Ribeiro (PB), líder do maior partido do ‘centrão’, o PP, e o próprio André Moura, que, apesar de ser do nanico PSC, aposta na influência de Cunha e na projeção como líder do governo Temer.

PERFIL

O ‘centrão’ da época da Constituinte (1987 e 1988) era formado por parlamentares conservadores do PMDB, PFL (hoje DEM), PTB e PDS (hoje PP), que somavam cerca de 280 cadeiras. Foi crucial para barrar iniciativas à esquerda e aprovar o mandato de cinco anos para o peemedebista José Sarney (1985-1990).

Desavenças eleitorais e outros fatores levaram ao fim da aliança após a promulgação da Constituição de 1988, entre eles a baixa popularidade do fim do governo Sarney e a péssima imagem do grupo – um de seus líderes, Roberto Cardoso Alves (1927-1996) celebrizou a releitura do “é dando que se recebe” ao falar sobre o apoio de deputados ao governo Sarney.

O ‘centrão’ de agora também tem uma maioria de perfil conservador. Com 42% do total de cadeiras da Câmara, controla 53% da bancada evangélica, 49% da bancada da bala e 46% da bancada ruralista.

Já em frentes parlamentares ligadas a temas defendidos pela esquerda, a participação do grupo cai consideravelmente. Eles são 33% da bancada em defesa dos direitos humanos e 26% da bancada em defesa dos direitos da criança e do adolescente.

O ‘centrão’ também tem relevantes problemas com a Justiça. O PP, maior legenda do grupo, tem 18 deputados na mira da Lava Jato. Análise dos dados do projeto “Excelências”, da Transparência Brasil, mostra que 62% dos deputados do grupo têm ocorrências na Justiça e em tribunais de contas –esse índice é de 53% no total de parlamentares da Câmara”.

“Esse ‘centrão’ não é de centro, é um ‘direitão’ fisiológico, com as práticas vinculadas à direita. Conservadorismo, toma lá, dá cá, clientelismo. A pequena política é a grande política no Parlamento brasileiro hoje”, diz o esquerdista Chico Alencar (PSOL-RJ). Um dos líderes do grupo, Rogério Rosso aponta o perfil conservador como fator de unidade: “Esse é um dos motivos pelos quais existe essa unidade de ação.”

Ex-integrante do ‘centrão’ (trocou o PSD pelo DEM), o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), ligado ao pastor Silas Malafaia, diz não ver motivação ideológica ou comportamental no grupo. Para ele, a liga é política e tem como objetivo eleger o próximo presidente da Câmara.

E é exatamente nessa corrida que ele vê um risco de que o ‘centrão’ de 2016 tenha o mesmo destino do ‘centrão’” de 1988. ‘Quero ver se essa unidade será mantida quando a disputa começar”, diz Sóstenes.

 

 

 

Folha de São Paulo