Família denuncia que padre vivia abandonado pela Igreja, em São José de Caiana

Família denuncia que padre vivia abandonado pela Igreja, em São José de Caiana

A família do padre José Dantas Filho, 55 anos, que faleceu no último sábado (21), em decorrência de um problema cardíaco, denunciou, quarta-feira (25), que o sacerdote viveu os últimos 12 anos de sua vida, na cidade de São José de Caiana, abandonado pela Igreja Católica.

 

Josefa Dantas, irmã do religioso, desde que chegou ao Caiana, Padre Dedé, como era conhecido o sacerdote, não recebia salário e sobrevivia graças à aposentadoria da mãe, uma idosa de 80 anos. Ele era natural de Itaporanga. “Se não fosse a ajuda de mãe, ele passava fome, porque não tinha dinheiro para nada: não se alimentava bem por falta de condição e nem seu plano de saúde pode continuar pagando porque depois que chegou ao Caiana, não recebia nada da Igreja”, declarou.

“Vi ele muitas vezes comer feijão puro e passar outras necessidades, porque o salário de mãe era quase todo pra comprar remédio e não sobrava quase nada. Apesar do abandona, ele nunca reclamou de nada, se mantinha sempre feliz”, acrescentou.

Segundo Josefa, “quem via o padre Dedé nas celebrações e atividades paroquiais em São José de Caiana não imaginava quanto difícil era sua vida”. “Nem ele próprio se importava com o sofrimento e se dedicava de corpo e alma à obra da fé, mantendo-se firme no sacerdócio e conquistando todos pela simplicidade, carisma e devoção à Igreja”, afirmou.

Doença

O padre descobriu que tinha um problema no coração em fevereiro de 2014, mas a falta de condição financeira impossibilitou um tratamento imediato e eficaz. O padre chegou a fazer um cateterismo, mas precisava de uma cirurgia que custava R$ 70 mil e a família apelou para a caridade pública, na tentativa de angariar o dinheiro. “São onze irmãos, e cada um saiu pedindo por um lado, fizemos bingo e muita gente ajudou, mas também fomos muito humilhados, porque muita gente dizia que padre tem dinheiro e não precisa de ajuda”, contou Josefa. 

 

 

 

Fonte: MaisPB