'Faltou protagonismo' do governo e do PT para reforma política, diz Renan

'Faltou protagonismo' do governo e do PT para reforma política, diz Renan

Em meio à retomada das discussões para tentar modificar o sistema político e eleitoral brasileiro, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta terça-feira (17) que a reforma política ainda não foi aprovada pelo Congresso Nacional porque “faltou protagonismo” do governo federal e do PT para tirá-la do papel.

“Já votamos muita coisa de reforma política, fizemos uma ampla, uma profunda reforma há 12 anos que tramitou rapidamente no Senado e teve muita dificuldade para tramitar na Câmara dos Deputados, mas faltou, sobretudo, nesses momentos, o protagonismo do governo e o protagonismo do PT”, disse Renan ao participar de um ato político do PMDB, na Câmara, que apresentou a proposta de reforma política do partido.

Com a presidência do Senado e da Câmara [nas mãos do PMDB], nós vamos poder estabelecer uma espécie de pauta expressa de matérias [da reforma política] que, simultaneamente, possam ser apreciadas na Câmara e no Senado"
Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado

Apoiado pelo PT na eleição para a presidência do Senado em fevereiro, Renan entrou em rota de colisão com o Palácio do Planalto depois que soube que seu nome fazia parte da lista de políticos investigados pela Procuradoria Geral da República na Operação Lava Jato. Desde então, o peemedebista subiu o tom contra o governo federal e passou a pautar projetos que sofrem resistência do Executivo.

Na solenidade desta terça, Renan disse que aproveitará o fato de o PMDB presidir a Câmara e o Senado para dar celeridade à votação dos projetos de reforma política. Ele relatou que, em acordo com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estabelecerá uma “pauta expressa” para o tema nas duas casas legislativas.

Apesar de defender publicamente a reforma política como uma das alternativas para combater a corrupção na administração pública, o PT discorda de parte das propostas apoiadas pelos peemedebistas, como o manutenção do financiamento público e privado para campanhas eleitorais. Os petistas querem proibir as doações de empresas para políticos e partidos.

“Com a presidência do Senado e com a presidência da Câmara [nas mãos do PMDB], nós vamos poder estabelecer uma espécie de pauta expressa de matérias que, simultaneamente, possam ser apreciadas na Câmara e consequentemente apreciadas no Senado Federal e vice-versa”, destacou Renan.

 

Michel Temer
Presidente nacional do PMDB, o vice presidente da República, Michel Temer, também defendeu no ato político desta terça o protagonismo do PMDB para promover uma reforma política. Na visão de Temer, o Legislativo é o "senhor absoluto" dessa matéria e a “reforma política vai surgir da atividade do Congresso Nacional.

“Temos a obrigação de não falhar neste momento, no exato momento em que o PMDB ocupa as presidências da Câmara e do Senado. Agora vai”, brincou o vice-presidente.

Ao comentar o papel do parlamento para modificar o sistema político e eleitoral do país, o Temer disse que não é apenas o Executivo que governa o país. "Quem governa é o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, particularmente o Legislativo", enfatizou.

 

 

G1