Faltam maternidades públicas em 213 dos 223 municípios da PB, diz CRM

Faltam maternidades públicas em 213 dos 223 municípios da PB, diz CRM

Faltam maternidades públicas em 213 dos 223 municípios da Paraíba, segundo estudo feito pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM). Os dados apontam que no Estado há somente doze maternidades que são administradas pelo poder público distribuídas em dez cidades: São Mamede, Santa Luzia, João Pessoa, Campina Grande, Jacaraú, Conceição, Natuba, Mamanguape, Patos e Catolé do Rocha.

Um trabalho paralelo de pesquisa da UFPB ratifica o problema da falta de maternidades públicas. Eduardo Sérgio Sousa, professor de Medicina e diretor do Centro de Ciências Médicas da UFPB, comenta que existem 16 regionais de saúde, porém cerca de 80% dos partos são realizados em apenas sete delas. A falta de estrutura, de recursos físicos ou humanos, e de organização na distribuição dos centros surgem como fatores que explicam a inutilização das nove regionais restantes. 

“Nesses centros as mulheres têm de se mobilizar à procura de lugar para o nascimento dos seus filhos, por vários motivos. Muitas mulheres não estão com gravidez de alto de risco, mas procuram Campina Grande, João Pessoa. E aí, quando se investiga o porquê dessas mulheres terem ido a esses lugares, algumas dizem que no dia que elas precisaram do hospital da cidade delas faltou medicamento, faltou alguém da equipe ou é a maternidade que não funciona no final de semana ou à noite”, avaliou o médico.

Por conta da falta do serviço, as mulheres recorrem principalmente às maternidades de João Pessoa e de Campina Grande, que concentram a maior parte dos nascimentos no Estado. Prova disso é que 50% da demanda recebida pelo Instituto Cândida Vargas, na capital, é de pacientes vindas de cidades do interior, seja da Região Metropolitana ou até mesmo das cidades mais distantes.

Existe um pacto para que o hospital da capital paraibana atenda mulheres de outras partes do estado, mas o acordo é voltado para casos de gravidez de alto risco. No entanto, o que se vê de acordo com Eduardo Sérgio Sousa é um grande número atendimento de mulheres muitas vezes com gravidez de baixo risco e vindas de municípios não pactuados. Esse fluxo também agrava o problema da superlotação.

Nessa trajetória, às vezes há perdas de mulheres, de crianças. Estamos falando de acesso e utilização à saúde. A mulher tem que estar segura que vai ter o acesso e poder utilizar a assistência quando ela precisar”, completou o professor que também é presidente do Comitê Estadual de Combate à Mortalidade Materna.

G1