Ex-núncio acusado de pedofilia morreu após ataque cardíaco

Ex-núncio acusado de pedofilia morreu após ataque cardíaco

O Vaticano divulgou neste sábado um comunicado no qual explicou que as primeiras conclusões da autópsia, realizada ontem poucas horas depois da morte, tinham confirmado o falecimento "por causas naturais devido a um evento cardíaco".

A autópsia foi ordenada pelo promotor do Vaticano, Gian Piero Milano, que nomeou uma comissão de três peritos, coordenada por Giovanni Arcudi, professor de Medicina Legal da Universidade de Tor Vergata, em Roma.

Nos próximos dias, acrescenta o comunicado, o promotor receberá novos resultados de laboratório efetuados pela comissão.

Por sua vez, as autoridades do Vaticano destinaram uma capela para realizar na próxima segunda-feira o funeral de Wesolowski, núncio do Vaticano na República Dominicana entre 2008 e 2013. A cerimônia será aberta ao público.

O corpo do ex-núncio, que tinha sido expulso pela Igreja Católica devido às graves acusações, será levado à Polônia na próxima terça-feira, informou o Vaticano.

Ele foi encontrado morto às 5h de ontem, sentado em uma poltrona e com a televisão ligada em sua residência no Vaticano, onde aguardava ser julgado. No breve comunicado que informou a morte, o Vaticano tinha afirmado que "as primeiras verificações indicaram uma morte por causas naturais".

Wesolowski não se apresentou ao julgamento no Vaticano em 11 de julho e alegou que estava internado em um hospital público de Roma. Seu advogado apresentou um documento que confirmava que tinha sido internado na noite anterior em um hospital romano após ser atendido pelo centro de Urgências do Vaticano, sua hospitalização foi necessária por uma grave queda de pressão.

O ex-núncio era acusado de cinco crimes, entre eles acessar pornografia na internet, posse de material de pedofilia tanto em Roma como durante sua estadia na ilha caribenha, entre 2008 e 2013.

Além disso, de abuso de menores de idade presumível (entre 13 e 16 anos) durante sua estadia na República Dominicana.

O prelado era o primeiro bispo sob detenção no Vaticano, e o primeiro religioso acusado de pedofilia que seria julgado nos tribunais vaticanos.

A primeira audiência durou apenas alguns minutos e foi adiada pela ausência do réu. O tribunal, por decisão papal, era formado por três laicos: o presidente Giuseppe Gadanha Torre e os juízes Antonio Bonnet e Paolo Papanti-Pellettier.

O escândalo explodiu após uma reportagem transmitida em um canal de televisão dominicano que acusava Wesolowski de pagar para ter relações sexuais com menores.

 

 

 

G1