Ex-deputado e ex-vereadores são presos acusados de exploração sexual

Ex-deputado e ex-vereadores são presos acusados de exploração sexual

A polícia prendeu 12 homens envolvidos no caso das “Meninas de Guarus”, que apurou a exploração sexual de crianças e adolescentes em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Outras duas pessoas são consideradas foragidas. Entre os presos estão ex-vereadores da cidade e o ex-deputado federal Nelson Nahim, que é irmão do ex-governador do Rio Anthony Garotinho.

Os alvos da operação foram condenados nesta quarta-feira (8), pela juíza Daniela Barbosa Assunpção, da terceira Vara Criminal de Campos. A sentença foi liberada nesta quarta. Nahim recebeu pena de 12 anos de prisão. Em entrevista à GloboNews, ele se declarou inocente.

Segundo a promotoria do caso, a condenação é em primeira instância, e os condenados podem recorrer. Quatro dos 20 réus do processo foram absolvidos.

O caso é investigado desde 2009. De acordo com a denúncia, os réus mantinham e exploravam sexualmente crianças e adolescentes, entre 8 e 17 anos, em uma casa em Guarus, distrito de Campos. O lugar era mantido com as portas e janelas trancadas, sempre sob vigília armada, e as vítimas eram obrigadas a consumir drogas.

Segundo a GloboNews, a operação policial começou por volta das 6h. De acordo com o Ministério Público, 12 mandados foram cumpridos, entre eles o de um homem que já estava preso.

 

CONDENADOS NO PROCESSO

– Leilson Rocha da Silva, o “Alex”: 31 anos e 1 mês de prisão;
– Ronaldo de Souza Santos: 31 anos e 1 mês;
– Thiago Machado Calil, ex-vereador: 25 anos e 8 meses;
– Fabricio Trindade Calil, ex-vereador: 25 anos e 8 meses;
– Renato Pinheiro Duarte: 14 anos;
– Nelson Nahim Matheus de Oliveira, ex-presidente da Câmara de Vereadores e ex-deputado federal: 12 anos;
– Fabio Lopes da Cruz: 8 anos;
– Dovany Salvador Lopes da Silva: 8 anos;
– Gustavo Ribeiro Poubaix Monteiro: 8 anos;
– Robson Silva de Barros Costa: 8 anos;
– Marcos Alexandre dos Santos Ferreira; ex-vereador: 7 anos;
– Cleber Rocha da Silva: 6 anos e 6 meses;
– Jayme Cesar de Siqueira: 6 anos;
– Sergio Crespo Gimenes Junior: 1 ano e 6 meses

 

As condenações foram proferidas após 17 juízes passarem pelo caso e se declararem suspeitos para julgar.

Os acusados foram condenados pelos crimes de quadrilha armada, estupro de vulnerável, exploração sexual de crianças e adolescentes, entre outros.

A maior pena aplicada foi de 31 anos para os condenados Leilson Rocha e Ronaldo Santos.

Os mandados são cumpridos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ).

 

O que dizem os réus
Nelson Nahim falou sobre as acusações contra ele. “Acho um absurdo porque nos autos da ação ficou comprovado que eu não tive nenhum relacionamento com ninguém. Não vejo porque qualquer tipo de condenação”, disse.

Em nota à GloboNews, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho lamentou a condenação do irmão e ressaltou que não compactua com as práticas pelas quais Nahim foi condenado.

O advogado do ex-vereador Marcos Alexandre disse que o cliente não teve participação no esquema.

A defesa de Renato Pereira Duarte alegou que ele não tem envolvimento nos crimes e que vai recorrer da condenação e entrar com pedido de habeas corpus. A Polícia Militar informou que está apurando a condenação dos policiais.

G1 tenta contato com os advogados dos outros condenados.

 

30 programas por dia
Em agosto de 2015, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) informou que as vítimas, que seriam crianças e adolescentes entre 8 e 17 anos, chegavam a fazer 30 programas por dia e eram obrigadas a consumir drogas.

Após negociação, as vítimas eram levadas de carro até os “clientes”, para realizar programas sexuais em diversos motéis e alguns hotéis da cidade.

Ainda segundo o Ministério Público, crianças e adolescentes eram submetidos a todos os tipos de práticas sexuais. Em alguns casos, iam com o nariz sangrando por causa do consumo de cocaína.

Pelos programas realizados, recebiam comida e drogas e, em alguns casos, uma parte do valor pago pelo “cliente”. O bando também firmou convênios com proprietários de hotéis e motéis locais, onde parte dos encontros era realizada.

 

Envolvimento de Nelson Nahim 

Nelson Nahim, ex-deputado federal e ex-vereador da cidade, chegou a ser preso com outros cinco suspeitos do caso em outubro de 2014.

Em novembro do mesmo ano, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) concedeu ao político um habeas corpus, e ele passou a responder ao processo em liberdade. A prisão de Nahim foi por possibilidade de constrangimento de vítimas e testemunhas do caso durante a investigação policial.

Durante a Audiência de Instrução e Julgamento em agosto de 2015, Nelson Nahim alegou inocência e disse haver um “sósia” dele na cidade. Ele assumiu como suplente o mandato de deputado federal em 15 de dezembro de 2015 e deixou o cargo no dia seguinte.

 

 

G1