"Eu merecia mais respeito pelo que fiz a este País", diz Lula

"Eu merecia mais respeito pelo que fiz a este País", diz Lula

Um Lula com discurso indignado, magoado e repleto de ataques ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal. Foi esse o tom que o ex-presidente da República adotou durante coletiva de imprensa concedida na sede nacional do Partido dos Trabalhadores, na região central de São Paulo, na tarde desta sexta-feira (4).

Convocada pelo próprio Lula após prestar depoimento na sede da Polícia Federal do Aeroporto de Congonhas para explicar supostas vantagens que ele teria recebido de empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, a coletiva serviu para o ex-presidente se defender das acusações, as quais contra-atacou com pontos positivos de seu período na Presidência e com uma suposta perseguição sofrida pelo PT por parte da imprensa e das elites do País.

"Eu acho que merecia mais respeito pelo que fiz a este País", afirmou Lula em meio a aplausos da militância que lotou o auditório do partido antes do primeiro protesto para defender o ex-presidente após a deflagração da 24ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Aletheia, marcado para as 18h, na Quadra dos Bancários, no centro paulistano.
 

"Estou indignado com o que fizeram hoje contra a minha familia, contra os meus colegas de Instituto Lula [...] Mas, embora eu tenha me ofendido, tenha me sentido ultrajado pelo que aconteceu, quero dizer que se quiseram matar a jararaca não bateram na cabeça, bateram no rabo, porque a jararaca está viva como sempre esteve."

Focada no petista, a Operação Aletheia cumpriu mandados nos endereços do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de Fabio Luiz Lula da Silva, seu filho, e no Instituto Lula, onde o presidente da entidade, Paulo Okamoto, foi encaminhado para depoimento – a exemplo do que ocorreu com o petista durante a manhã.

Para o ex-presidente, tanto Polícia Federal quanto Ministério Público Federal tiveram um comportamento muito grave, já que ele prestou depoimento em outras três ocasiões somente neste ano sobre os supostos crimes nos quais estaria envolvido, o que eliminaria a necessidade da condução coercitiva. Lula classificou a ação como mero espetáculo voltado para chamar a atenção da imprensa.

"Eu acho que estamos vivendo um período em que a pirotecnia está valendo mais do qualquer coisa, em que o show midiático tem valido mais do que a investigação séria. De qualquer forma, nada disso diminui a minha vontade. Pelo contrário, acenderam em mim a chama de que a luta continua", garantiu ele.

"Nunca na minha vida tive nada fácill, mas eu pensava que, aos 70 anos de idade, poderia me aposentar e apenas ser cabo eleitoral. Acho que existe uma intenção no comportamento da Polícia Federal e do Ministério Público que é muito grave [...] Quero saber quem vai me dar um apartamento, quem vai me dar a chácara que dizem que é minha. Espero que, quando tudo isso acabar, alguém me dê realmente a chácara ou o
apartamento no Guarujá, que uso por serem dos meus amigos, porque meus inimigos não me emprestam nada."

 

 

 

 

 

 

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