Estupros chegam a 51 casos, 20 são crianças. ONG vê sub-notificação e omissão, principalmente em casos na classe alta

Estupros chegam a 51 casos, 20 são crianças. ONG vê sub-notificação e omissão, principalmente em casos na classe alta

A Organização Não Governamental (ONG) Centro da Mulher 8 de Março informou que até agora foram registrados 51 casos de estupros no estado. O número aponta para uma queda de seis casos em relação ao mesmo período de 2013. Destes 51, 20 foram de crianças, 18 mulheres e 13 adolescentes. Vale ressaltar que são consideradas crianças pela ONG todos que têm até 11 anos e 11 meses.

Os dados foram coletados a partir de matérias de Imprensa e de pessoas que procuraram diretamente a instituição. “Há uma avaliação no movimento que para cada aliciamento ou estupro notificado cinco não são. Esses casos são negados, abafados”, pontuou Irene Marinheiro, coordenadora geral da instituição.

 

Para Marinheiro, em relação ao assédio, existe a exploração sexual, que é a exploração do corpo do menor, e o abuso sexual. “O estupro está dento do abuso, assim como o aliciamento. Sabemos que 70% dos abusos são cometidos por pessoas da convivência intima da criança e do adolescente, são pais, vizinhos, amigos, irmãos. Chamamos a atenção dos pais para um maior cuidado e um outro olhar para essa questão, no sentido de proteger as suas crianças”, frisou Marinheiro.

O coordenadora explicou que os pais devem observar nas crianças um comportamento diferente, como tristeza, angústia, choro, desenhos diferentes, geralmente agressivos, agressividade com seus brinquedos. “É a forma que a criança tem de demonstrar que está sendo desrespeitada e machucada”, alertou.

Cultura perversa - Sobre o porquê os casos de estupros continuam acontecendo, apesar das campanhas, o coordenadora afirmou que o problema persiste devido uma cultura da sociedade. “Eu atribuo (a manutenção dos casos de estupro) ao machismo, ao entendimento que a mulher ainda é propriedade do homem. É um fenômeno social. É atitude cultural, só com o tempo, com trabalho, políticas públicas, discussão nas escolas e o envolvimento da sociedade nisso (podemos reverter). A sociedade tem que se envolver mais para cuidar mais de suas crianças. Não adianta criar políticas públicas e a sociedade não se envolver com isso”, desabafa.

Para Marinheiro, existe omissão da sociedade em relação ao estupro, além de sub-notificação de casos. “Nós sabemos que muitos casos são escondidos, abafados. Eles não querem que a sociedade saiba por medo, para não expor o filho, a família. Isso acontece mais na classe alta do que em classes menos esclarecidas”, finaliza.

 


Paulo Dantas