Estudantes na Paraíba encontram dificuldade em cadastro do Fies e podem desistir de cursos

Estudantes na Paraíba encontram dificuldade em cadastro do Fies e podem desistir de cursos

Madrugadas em claro se tornaram comuns para a Anna Carolynne Gomes, estudante do primeiro semestre de Direito do Unipê. Mas não é para estudar que ela fica madrugando no computador, mas para conseguir fazer a sua inscrição no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Ela está enfrentando muitos problemas para conseguir concluir sua inscrição.

“Várias pessoas da minha turma estão procurando um jeito de concluir a inscrição, e são pessoas que precisam, que estão pensando em desistir do curso por não terem como pagar”, explicou a estudante.

Valmir Maciel é um destes estudantes. Ele mora em Goiana, Pernambuco, e está tentando cursar fisioterapia no Unipê. Porém, para ele, a cada dia o sonho parece estar mais distante.

“Todo o preparo e estudo parecem não ter valor agora. Somos jogados de um lado para o outro, e em nenhum lugar temos a informação que precisamos, que queremos. Trancar ou adiar a faculdade é desistir de um sonho meu e dos meus pais, que querem ver o filho formado”, disse.

Com as mudanças no Fies, o valor do reajuste do valor da mensalidade pode ficar parcialmente descoberto, e o Valmir pode ter que abrir mão do curso. “Como o site está cheio de erros e travando, não há como garantir o financiamento. Isso está dificultando muito as nossas vidas”, lamenta o estudante.

A estudante Dayane Rodrigues, da mesma turma de Anna Carolynne, diz que o que mais acontece são vagas se esgotando a cada lote que é liberado pelo Ministério da Educação.

“Tá muito complicado. Eles liberam um lote e no mesmo dia o lote esgota. Nós passamos horas e horas no computador e na hora de confirmar diz que a instituição esgotou o limite. Mas como isso é possível? Liberam a verba de meia noite, ou pela manhã, quando é no outro dia o limite esgota, sendo que o site muitas vezes nem abre, pois está fora do ar”, disse.

Situação comum nas particulares - Para os estudantes das Faculdades Maurício de Nassau a situação não é diferente. No início do mês os alunos chegaram a querer promover um protesto contra a dificuldade para conseguir o Fies, mas acabaram cancelando. A dificuldade apresentada por Joana D’Arc, estudante do 6º período de Jornalismo na instituição é para aditar (atualizar) o financiamento que ela já tem.

 

“Já abri demanda, tentei, falei com a faculdade. Constou, na verdade, que estou devendo mais de R$ 7 mil, sendo que este débito deveria ser para o Fies, mas diz que não tive o programa nos anos anteriores”, revelou.

 

Com débito, a faculdade não permite a rematrícula do aluno. A faculdade, inclusive, quer renegociar a “dívida” para que eles possam atualizar seu cadastro. “Mas como se essa dívida nem é nossa? Tem gente que consta com débito de mais de R$ 10 mil. O Fies diz que tenho que pagar este valor. Estão jogando a culpa nas costas dos alunos”, denuncia.

Os estudantes da Maurício de Nassau foram ao Ministério Público em busca de uma solução e formalizaram uma denúncia contra o Fies. “A gente está aguardando sair a liminar que nos autorize fazer a matrícula na universidade. Enquanto isso, para assistir aula, a gente depende da boa vontade dos colegas, já que a gente não pode ter acesso à plataforma virtual de ensino da Nassau. Tem gente até que está impedida de estagiar por não ter número de matrícula”, disse.

Problemas no formulário - O Fies, que atualmente atende 1,9 milhão de alunos, enfrenta problemas desde o início do ano. Os estudantes afirmam não conseguir preencher o formulário com o nome da instituição solicitada, antes disso a página exibe a mensagem “limite de vagas para esse Campus/IES esgotado”. Ou, ainda, apresentam

A assessoria do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fnde), responsável pelo programa, reconhece que o site acessado pelos estudantes para se inscrever está sobrecarregado, e que o MEC e o Fnde estão trabalhando para resolver o problema. Neste ano,as inscrições para o Fies irão até o dia 30 de abril.

O Ministério da Educação (MEC) justificou que, a partir deste ano, limitará o acesso dos estudantes ao Fies e implementará um sistema unificado, que será similar ao Sistema de Seleção nificado (Sisu).

O critério para distribuição das vagas entre as instituições será mais rigoroso, mas os auxílios continuarão sendo distribuídos de acordo co a nota dos cursos no Conceito Preliminar de Curso (CPC), além do critério dos 450 pontos na nota do Enem.

O MEC também implementará um sistema unificado online, que seguirá os moldes do Sisu e do Programa Universidade para todos (ProUni), para realizar a concessão do benefício. O novo formato entrará em vigor em junho deste ano.

— A ideia é migrar o Fies para um sistema de seleção unificada, em que o programa dará, de forma transparente, as vagas ofertadas para os alunos fazerem suas escolhas — diz o secretário-executivo do MEC, Luiz Cláudio Costa.

 
 


João Thiago