Estreia de Justiça mistura sexo, violência e um Recife sombrio; confira

Estreia de Justiça mistura sexo, violência e um Recife sombrio; confira

A estreia de Justiça, nova minisérie da Globo, revelou que, pelo menos no início da trama, não vão faltar cenas referências a Pernambuco. O primeiro capítulo, centrado no personagem Vicente (o recifense Jesuíta Barbosa), mostra uma visível intenção em deixar claro que a produção se passa fora do habitual eixo Rio-São Paulo. 

A intenção é nobre e quebra um pouco da hegemonia do sudeste vista na teledramaturgia. Elenco, locações, trilha sonora: há uma pitada pernambucana em todos os momentos deste primeiro episódio, com cenas na praia de Boa Viagem (ao som de Crua, de Otto), na fachada do Palácio do Campo das Princesas e também a vista do edifício Holiday nos créditos do programa. Vale lembrar que a série teve gravações também em estúdios no Rio de Janeiro. 

Esse cuidado, extremamente válido, de dar aspectos regionais ao produto acaba pecando num único ponto: quando alguns atores tentam emular o sotaque local. O problema é relativamente comum no audiovisual; embora não soe necessariamente caricato, acaba saindo pouco natural o tom como Débora Bloch (Elisa)e Adriana Esteves (Fátima) falam. Marina Ruy Barbosa (Isabela) por outro lado, convence mais. 
 

Como de praxe nos produtos exibidos na faixa de horário após as 22h, o tom promete ser mais pesado e dramático, aspecto que já havia sido antecipado pelos teasers exibidos nas semanas que antecederam a estreia. Há palavrões, assassinato, sexo, traição e outras questões. A série segue uma fórmula não original, mas pouco explorada na dramaturgia brasileira: cada episódio é centrado em um personagem do núcleo principal, formado por quatro atores. 

Neste primeiro, vemos a história de Vicente se desenrolar: a falência da empresa de seu pai e traição da noiva, Isabela, que é morta quando ela a encontra tomando banho com outro. O assassinato leva a mãe dela, Elisa, a querer se vingar e matar Vicente. 

Os outros três personagens do elenco, principal fazem pontas, já revelando que todos eles estão, de alguma maneira, interligados. Tudo bem amarrado na história escrita por Manuela Dias e dirigida por José Luiz Villamarim. Uma boa estreia.

 

Diário de Pernambuco