Estado Islâmico invade museu na Síria, mas relíquias já não estavam mais lá

Estado Islâmico invade museu na Síria, mas relíquias já não estavam mais lá
Vista da antiga cidade romana em Palmira, Síria

Militantes do Estado Islâmico invadiram um museu na cidade antiga de Palmira, mas as obras de arte já haviam sido removidas e estão em local seguro, informou um oficial sírio neste sábado (23).

O Estado Islâmico invadiu Palmira na província central de Homs na quarta-feira, gerando preocupação se eles iriam destruir os templos, túmulos e colunas de valor inestimável localizadas ao sul da cidade. A imagem de simpatizantes do grupo circulou no Twitter e mostra a bandeira negra usada pelos extremistas, levantada sobre o castelo na colina da cidade, uma estrutura centenária.

O chefe do Departamento de Museus e Antiguidades em Damasco, Maamoun Abdulkarim, disse que os militantes entraram no museu no centro da cidade ontem à tarde, trancaram as portas e deixaram os guardas para trás. Abdulkarim disse que os objetos já haviam sido removidos antes por segurança.

"Estamos orgulhosos de que todo o conteúdo do museu foi levado para áreas seguras”, disse ele. Abdulkarim, no entanto, alertou que o controle do Estado Islâmico na cidade continua a ser um perigo para os sítios arqueológicos. O grupo destruiu vários sítios na Síria e no Iraque, e também luvrou escavando e vendendo artefatos no mercado negro.

Museu e artefatos da cidade síria foram danificados e saqueados anteriormente, durante a guerra civil que durou quatro anos no país. Em um relatório do governo, preparado para a agência cultural da ONU em 2014, o dano já havia sido registrado por causa dos combates que aconteceram na área em torno do Templo de Bel. Balas e granadas atingiram as colunas do templo, enquanto duas das colunas ao sul já haviam desmoronado. O relatório também registrou que houveram saques.

Abdulkarim disse que cerca de 6.300 artefatos da Síria foram apreendidos e contrabandeados para fora do país nos últimos quatro anos.

O Estado Islâmico detém um grande território em toda a Síria e também no país vizinho Iraque. O coronel de polícia Aziz al-Shihawi disse que as tropas iraquianas e as milícias xiitas recapturaram a cidade de Hussiba na província de Anbar neste sábado. Ele afirmou que as forças aliadas do Iraque mataram vários militantes antes que eles se retirassem da cidade, há 7 km a leste de Ramadi, cidade que está sob o domínio do Estado Islâmico.

Bagdá iformou que estão em andamento preparativos para lançar uma contra-ofensiva em grande escala na província de Anbar, envolvendo milícias xiitas apoiadas pelo Irã, que têm desempenhado um papel fundamental na derrota do grupo Estado Islâmico no resto do país. A presença dessas milícias poderia, no entanto, alimentar tensões sectárias na província sunita, onde a raiva contra o governo liderado pelos xiitas é ainda mais profunda.

 

 

 

BBC Brasil