Escutas telefônicas comprova esquema de desvio de verba pública na prefeitura de Patos

Escutas telefônicas comprova esquema de desvio de verba pública na prefeitura de Patos

O empresário José Aloysio da Costa Machado Neto, um dos foragidos da Operação Desumanidade, foi preso por agentes da Polícia Federal na tarde da última terça-feira (12), em uma clínica médica de João Pessoa. Ele e mais dois empresários eram responsáveis por obras em Patos e região. Um conversa telefônica revela uma conversa em que Aloysio deixa claro o esquema de desvio de dinheiro público na Prefeitura de Patos envolvendo até mesmo o nome do deputado federal Hugo Motta.

Na conversa, que conta na denúncia feita pelo Ministério Público Federal, uma pessoa chamada Claudio fala com Aloysio que o que ficou acertado com Dineudes foi 15%. Aloysio diz que sabe, mas que tem 1,5% que Aloysio Junior deu a Madson. Aloysio afirma que o valor que saiu foi de R$ 21.700,00, mas que cobra em cima de R$ 22.000.00, para colocar em cima desse valor e pergunta quanto dá.

Ainda na conversa, Aloysio diz que sacou R$ 21.700,00 e revela que Severo falou que tem R$ 100,00 que Dineudes tem que pagar de umas autenticações que Severo pagou. Na mesma ligação Aloysio e Claudio fazem as contas definindo a parte deles. Eles chegam a conclusão de que os 15% dos R$ 22.400,00 (total fechado por Aloysio) é R$ 3.340,00, mas subtraem esse valor da quantia sacada que foi de R$ 21.700,00, restando assim R$ 18.340,00 que deve ser pago a Dineudes.

Após essa conclusão das contas, Aloysio diz que vai tirar 2% para ele e 1% para Severo. Claudio concorda com o esquema. Sobre os R$ 100 para pagamento das autenticações dos documentos, Aloysio diz que não sabe quem pagará a conta a Severo, se Claudio ou Dineudes e revela que foi combinado 15% “para a gente fazer tudo” e que as despesas da licitação eram “por nossa conta”, combinando de pagar os R$ 100.

No final da conversa, Claudio diz que para pagar o restante do valor de uma impressora vai esperar “sair o de Malta” (município da Paraíba). Aloysio diz que não é para Claudio contar com o dinheiro de Malta por agora, pois conversou com Nael e ele teria dito que falou com Hugo (deputado Hugo Motta) que não está definido e que iria ver, mas que “não sabia quando ia dar certo esse negócio porque está dependendo da liberação de Brasília”. E concluindo, Claudio arremata afirmando que tirando o de Madson (1,5%), o de Aloysio (2%) e o de Severo (1%), resta 10,5%, resultando R$ 2.352,00 para Claudio e Junior.

O suposto esquema envolve obras com emendas do deputado federal Hugo Motta (PMDB) e também intervenções realizadas em Patos na gestão de Nabor Wanderley e Chica Motta (PMDB). A mãe do parlamentar Ilana Motta foi levada para prestar depoimento na primeira fase da Operação, sob suspeita de envolvimento no esquema. Ela foi secretária de saúde da cidade e exerceu o cargo de chefe de gabinete da prefeitura.

A investigação envolve a participação em organização criminosa, fraude à licitação, desvio de recursos federais e lavagem de dinheiro. A prisão foi fruto de ação conjunta articulada entre o Ministério Público Federal na Paraíba (MPF/PB), o Ministério Público do Estado da Paraíba (MPPB) e a Polícia Federal (PF).

Operação Desumanidade – primeira fase da Operação Desumanidade foi realizada no ínicio de dezembro do ano passado com o objetivo de apurar irregularidades na contratação de empresas de construção que atuavam em prefeituras do sertão paraibano. As investigações constataram que licitações de saúde e educação eram direcionadas a determinada empresa que funcionava como fachada para encobrir ilegalidades na execução das obras. O esquema ocorreu em, ao menos, 13 obras de engenharia no município de Patos, sendo 11 unidades básicas de saúde, uma academia de saúde e uma quadra poliesportiva coberta, em três contratos firmados nos anos de 2014 e 2015.

A Controladoria apurou que, de cerca de R$ 3 milhões de recursos federais fiscalizados, foi identificado prejuízo de mais de R$ 800 mil. Houve irregularidades, como: indícios de não recolhimento dos encargos sociais, superfaturamento, pagamento por material não adquirido e por serviços não executados, além de direcionamento de processos licitatórios.

 

 

 

 

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