Enem e vestibulares: veja 5 temas aplicados na análise do 7 de setembro

Enem e vestibulares: veja 5 temas aplicados na análise do 7 de setembro

O dia da Independência do Brasil, 7 de setembro, comemorado nesta quarta-feira, regularmente inspira questões nos vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Abaixo cinco tópicos relacionados à data analisados pelo diretor do cursinho Oficina do Estudante, Celio Tasinafo, pelo professor de história e coordenador pedagógico geral do cursinho Maximize, Alexandre Takata e pelo professor de história da rede Objetivo, em Socorro, Samuel Zanesco.

MOVIMENTO ELITISTA
O professor Takata lembra que o movimento de independência do Brasil, que teve seu ápice no 7 de setembro de 1822, foi uma separação elitista conduzida por Dom Pedro I. “Quem faz a independência é a elite que quer se livrar das amarras da opulência das metrópoles.” Ele lembra ainda que, logo após a conclusão do movimento, Dom Pedro perde o apoio do clero, da imprensa e dos intelectuais.

“Foi inaugurada uma constituição no Brasil com o pé no iluminismo. Dom Pedro criou o poder moderador, mantendo a faceta tirana, que estava acima dos outros três poderes, o legislativo, executivo e o judiciário”, lembra Takata.

Um dos motivos de Dom Pedro para a emancipação, segundo o professor, foi o de receber produtos ingleses. Para isso, ele tinha apoio dos latifundiários, que após a instauração do poder moderador, também se revoltaram.

Desde o início do governo, Dom Pedro I já perde o apoio, pois seus aliados não esperavam que o poder moderador fosse decretado. Ele era truculento e impopular. “Muitos protestos irão acontecer e surge o um território chamado de Confederação do Equador. As revoltas separatistas trouxeram desgaste de poder a Dom Pedro.”

Para acalmar a revolta que se criou, Dom Pedro faz mais empréstimos com a Inglaterra, e abdica de seu poder para nomear o filho, de 5 anos, Dom Pedro II, em 1831.

PERÍODO COLONIAL X BRASIL INDEPENDENTE
Tasinafo afirma que o aluno precisa estar afiado para distinguir as características do Brasil enquanto colônia e após a independência. Ele lembra que a independência brasileira foi diferente da de todos os outros países porque contou com a presença da corte portuguesa. “É preciso saber a diferença em relação aos Estados Unidos, por exemplo, que adotam um regime republicano federativo, enquanto no Brasil há uma monarquia centralizada.”

O professor compara também o processo do Brasil com a América espanhola. “A América se fragmenta dando origem a dezenas de países, já o Brasil consegue manter a unidade e se transforma na nação com maior território na América do Sul.”

RELAÇÕES COMERCIAIS
O professor Samuel Zanesco lembra que a Inglaterra via o Brasil como grande mercado, por isso 14 anos antes, em 1808, “adiantou” a independência brasileira, com a Abertura dos Portos, para facilitar as relações comerciais.

“Apesar da independência, em 1822, foi mantida a escravidão, os interesses latifundiários e os laços com Portugal. A independência sempre foi tratada como um movimento sem derramamento de sangue, com pouca participação popular, negociata entre a elite latifundiária e a monarquia”, diz Zanesco.

Dom João VI só deixou o Brasil em 1815, depois de Napoleão Bonaporte ser destituído, e ele temer perder o trono. Antes de sair do Brasil, deixa a coroa ao filho Dom Pedro I, com a célebre frase:

“Se o Brasil for se separar de Portugal, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros.”

SIMBOLOGIA 
Zanesco afirma que a falta de participação popular e o “não derramamento de sangue foi negativo porque mostra o quanto a população vivia alheia à própria história.” Nas revoluções Francesa e Russa, segundo o professor, mudou-se a história com a participação popular e o “derramamento de sangue.”

Ele lembrou outro símbolo importante da data, o quadro Independência ou Morte, do artista Pedro Américo, que retratou o momento em que Dom Pedro emancipou o país. O quadro traz a famosa imagem de um herói fardado, rodeado de homens armados montados em cavalos de raça. “O retrato é muito folclórico e simbólico. Não havia uma comitiva daquele tamanho, nem aqueles cavalos magníficos.”

DESFILES CÍVICOS 
Tasinafo diz que os tradicionais desfiles comemorativos de 7 de setembro ficaram associados ao período da ditadura. “Eles eram maiores porque era o momento aproveitado para fazer propaganda do governo, hoje quase não vê um desfile com a mesma pompa da década de 70. Na redemocratização eles perderam o sentido.”

Para o professor Takata, isso ocorre porque há uma reformulação da identidade atual. “Os anos 80, por exemplo, têm uma identidade específica que hoje não temos mais. O jovem tem uma influência multifacetada, por conta da internet e do acesso à informação.”

Takata afirma que a data nesta quarta-feira (7) deve ser marcada por manifestações contrárias ao presidente Michel Temer. “Hoje a data tem um significado distinto do que tinha na ditadura.”

 

 

G1