Empresa investigada na Lava Jato doou R$ 3 milhões ao Instituto Lula

Empresa investigada na Lava Jato doou R$ 3 milhões ao Instituto Lula

  Peritos da Polícia Federal analisaram em detalhes as movimentações financeiras da empreiteira Camargo Corrêa, que é investigada na Operação Lava Jato.

A perícia da Polícia Federal foi feita em documentos apreendidos na Camargo Corrêa. Os papéis cobrem movimentações entre 2008 e 2013. E mostram que a empreiteira recebeu mais de R$ 2 bilhões por contratos fechados com a Petrobras.

A perícia mostrou também que a construtora doou mais de R$ 180 milhões a vários candidatos e partidos políticos. Estão na lista PT, PSDB, PMDB e PP, entre outros.

O relatório também aponta pagamentos da Camargo Corrêa para empresas de consultoria. A JD, do ex-ministro José Dirceu, recebeu R$ 844 mil entre maio de 2010 e fevereiro de 2011. Os contratos já tinham sido revelados anteriormente e estão sendo investigados.

Assim como os contratos com a Costa Global, empresa aberta pelo delator da Lava Jato Paulo Roberto Costa, depois que ele deixou a diretoria de Abastecimento da Petrobras. A empresa recebeu quase R$ 3 milhões só em 2013.

Já o Instituto Lula recebeu três pagamentos. Em 2001 e 2013, R$ 1 milhão a título de contribuições e doações. Em julho de 2012, a Camargo Corrêa doou mais R$ 1 milhão ao instituto, como bônus eleitorais.

Fontes das investigações ainda não sabem exatamente o que significa. Segundo o relatório, a Camargo Corrêa também repassou R$ 67 milhões a duas empresas que pertencem ao ex-consultor da Setal e um dos delatores da Lava Jato Júlio Camargo.

O próprio ex-presidente da Camargo Corrêa Dalton Avancini, também um dos delatores, disse em depoimento que as duas empresas não prestaram qualquer serviço à construtora.

O objetivo do relatório não é apontar se houve irregularidades nos pagamentos a empresas e doações a partidos. Mas a Polícia Federal vai convocar o ex-presidente Camargo Corrêa e o ex-vice-presidente da empreiteira para prestar esclarecimentos. Os donos das consultorias também devem ser ouvidos pelos investigadores da Lava Jato.

A perícia da Polícia Federal também indicou pagamentos de mais de R$ 1,5 milhão entre 2011 e 2013 para a Lils Palestras e Eventos, uma empresa aberta pelo ex-presidente Lula.

O Instituto Lula confirmou que a Lils recebeu pagamentos da Camargo Corrêa para palestras do ex-presidente, que as doações ao instituto servem para manutenção de atividades e que todas as doações foram declaradas e os impostos pagos.

O Instituto Lula declarou também que não emite bônus eleitorais, que é uma prerrogativa de partidos políticos, e que essa denominação deve ter sido algum equívoco.

A Camargo Corrêa afirmou que as contribuições ao Instituto Lula referem-se a apoio institucional e ao patrocínio de palestras do ex-presidente Lula no exterior. A empreiteira também declarou que está colaborando com as autoridades.

O ex-ministro José Dirceu reafirmou que já encaminhou cópia dos contratos e das notas fiscais pela prestação de consultoria à Camargo Corrêa e que está à disposição das autoridades.

Dalton Avancini reafirmou tudo o que já disse em delação premiada.

O PP e o PSDB reafirmam que as doações foram legais e declaradas à Justiça. O PT não respondeu. O JN não conseguiu contato com o PMDB e Paulo Roberto Costa.

 

 

G1