Em surto, doleiro Alberto Youssef quebrou vidro na cadeia

Em surto, doleiro Alberto Youssef quebrou vidro na cadeia

Preso há oito meses e acusado de distribuir propinas para obras da Petrobras, o doleiro Alberto Youssef quebrou um vidro da carceragem da Polícia Federal em discussão com um advogado, que acabou bancando o conserto.

O episódio ocorreu no fim de outubro, depois da última internação de Youssef, um dos principais delatores do esquema de corrupção. O doleiro tem problemas cardíacos e está, segundo seus advogados, sob alto estresse e com a saúde "bastante debilitada". A defesa diz que a atitude foi "pontual".

O parlatório é um espaço onde os presos podem conversar por telefone com advogados e visitantes e ficam separados por um vidro.

Youssef conversava com um advogado num dos parlatórios da carceragem da PF em Curitiba, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato. Irritado, bateu com os pulsos no vidro, que rachou. Uma parte virou estilhaços. A defesa afirma ter indenizado a PF pelo dano –em cerca de R$ 350.

Até a sexta-feira (28), o vidro ainda não havia sido consertado, o que atrapalhou as visitas de outros presos, já que apenas três parlatórios estavam em funcionamento.

Youssef tem lido de cinco a quinze livros por semana. Entre os que já leu, estão "O Homem que Matou Getúlio Vargas", de Jô Soares, e "Estrela Solitária", biografia de Mané Garrincha escrita por Ruy Castro, colunista da Folha.

SAÚDE

O doleiro tem escrito cartas para as três filhas e a ex-mulher. Além da cardiopatia, sofre de pressão baixa. Por causa disso, sofre desmaios com alguma frequência. Já perdeu quase 20 kg e, desde o sábado (29), está internado em um hospital de Curitiba após passar mal.

Essa é a quarta vez que Youssef deixa a carceragem da PF para receber atendimento médico.

Segundo os advogados, o doleiro está subnutrido, com incapacidade de absorver nutrientes, e tem um coágulo que precisa ser tratado.

Na terça (25), prestou o último depoimento da delação premiada. Foram cerca de cem horas de gravações e quase dois meses de oitivas.

A defesa espera conseguir, após a homologação do acordo pelo Supremo Tribunal Federal, que Youssef seja solto e responda em liberdade.



Uol