Em carta aberta ao MP, radialista denuncia deputado da Paraíba

Em carta aberta ao MP, radialista denuncia deputado da Paraíba

O radialista paraibano Fabiano Gomes apresentou ao Ministério Público da Paraíba, uma carta aberta alertando sobre um suposto esquema no sistema de transparência envolvendo o Deputado Estadual José Aldemir (PP).

Entre os esquemas estaria a locação de carro e contratação de serviços inexistentes e emissão de notas frias.

Confira a carta na íntegra:

Carta aberta ao Ministério Público

O deputado estadual José Aldemir se notabilizou por seu discurso moralista. Seu verbo é sempre flexionado em nome da probidade e da retidão. Mas, como diria o poeta Cazuza, “suas ideias não correspondem aos fatos”.
Nos últimos dias, os paraibanos estão sendo apresentados ao verdadeiro José Aldemir. E a fisionomia que vem à público destoa profundamente de sua retórica.

Os fatos que estão vindo à tona sinalizam para toda a Paraíba – e especialmente para os cajazeirenses, que são apresentados às suas pretensões de se investir no cargo de prefeito do município – que todos nós (de Cachoeira dos Índios a Cabedelo) temos sido enganados ao longo desses 32 anos de vida pública de Aldemir.

As denúncias consistentes merecem atenção do Ministério Público do Estado – através do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) – no sentido de apurar os sinais que são emitidos a partir do Sistema Sagres e das ferramentas de transparência da Assembleia Legislativa, que desnudam operações suspeitas do gabinete do deputado José Aldemir no manejo da Verba Indenizatória Parlamentar.

O primeiro sinal de alerta vem do sistema de transparência da Assembleia Legislativa. Os registros mostram que José Aldemir embolsou – ao longo do período em que ocupou a primeira secretaria da Casa – R$ 734.636,55 – foram R$ 419.637,00 em 2013 e mais R$ 314.999,55 em 2014.

Os recursos, obtidos com esquema de notas frias, eram destinados ao rateio entre apaniguados e cabos eleitorais da região em que o deputado milita politicamente.

Um desses esquemas era mantido a custas de escritórios de contabilidade e advocacia, que forneciam recibos e notas frias sem que prestassem serviços efetivos ao gabinete do deputado.

O esquema era operado pelo motorista do deputado, Hamilton Noleto. O advogado Silvio Nogueira, um dos “fornecedores” de nota a José Aldemir, confirmou a operação. Ele disse: “Fui procurado por Hamilton, que solicitou um recibo para justificar pagamentos junto à Assembleia Legislativa. Hamilton já veio com o recibo e a nota”.
Silvio Nogueira disse ainda que assinava recibos e notas para o gabinete do deputado desde 2011.

Outro esquema que veio a público foi a de locação de escritório fantasma, onde supostamente o deputado deveria despachar e exercer atividades de apoio parlamentar. O contrato rendia a subtração de R$ 5 mil reais da AL (R$ 60 mil anuais).

No endereço, que nunca foi frequentado por José Aldemir, funciona na verdade uma imobiliária, pertencente ao consultor imobiliário Anísio Cunha Maia, primo da esposa do deputado.

Outro foco de emissão de notas frias partia do escritório do contador João Meireles, que nutria – com o fornecimento dos documentos fiscais – a sangria de José Ademir sobre os cofres públicos. E ainda há registro de locação irregular de veículo – que teria sido feito junto a uma transportadora de caminhões e não de uma locadora – e ainda consumo excessivo de combustíveis. Ele é recordista entre os pares da AL e gasta, por ano, 18.250 litros (quantidade suficiente para uma volta ao mundo).

As denúncias, substanciadas por depoimentos dos atores do processo e passíveis de rastreamento via Sagres e ferramentas de controle da Assembleia Legislativa, merecem (reitero) atenção do MPE – que tem o poder e as condições necessárias para colocar todos os pontos nos is e deixar evidente, para os contribuintes paraibanos, quanto de verdade (ou mentira, como queiram) existe no discurso de retidão há três décadas repetido pelo deputado José Aldemir.

 

Fabiano Gomes

 

 

 

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