Em audiência, contadora diz que Youssef levou mala de dinheiro à OAS

Em audiência, contadora diz que Youssef levou mala de dinheiro à OAS

Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, afirmou nesta quarta-feira (4) ter presenciado o doleiro levar uma mala de dinheiro até a construtora OAS. Ela informou que não sabia o motivo da encomenda nem o valor contido na mala.

A Justiça Federal de Curitiba retomou, às 14h, as oitivas das testemunhas de acusação, arroladas pelo Ministério Público Federal, para os processos que envolvem executivos investigados pela sétima fase da Operação Lava Jato. Neste terceiro dia de audiências, os depoimentos são sobre a susposta participação da construtora OAS no chamado "clube", que fraudava licitações e superfaturava contratos da Petrobras para desviar recursos e assim pagar propina para agentes públicos e políticos.

As oitivas, comandadas pelo juiz Sergio Moro, devem se estender por duas semanas.

 

“Essa vez eu estava com o Alberto levando uma mala e disse que tinha dinheiro dentro”, contou, após deixar a audiência. “A gente sabia que ele tinha esse relacionamento também com a UTC.”

Segundo ela, os negócios do doleiro não eram surpresa para os funcionários da GFD Investimentos. “Na verdade, todo mundo que trabalhava lá, ninguém era vítima. Todo mundo sabia que ele era doleiro.”

Meire disse ainda que os deputados Luiz Argôlo (SD-BA), André Vargas (sem partido-PR) e o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte frequentavam o escritório de Youssef.

Procurado pelo G1, André Vargas  reconheceu que esteve com Youssef. “Eu não a conheço, não sei por que ela está me citando, nunca a vi. Eu conheço o Alberto há 20 anos, estive com ele algumas vezes lá no escritório e em Londrina, mas nunca tratei de negócios com ele”. A reportagem procurou os outros dois e ainda não obteve retorno.

Estão previstos ainda para esta quarta-feira os depoimentos de Marcio Adriano Anselmo, delegado da Polícia Federal que coordena a Lava Jato; os consultores da Toyo Setal Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Júlio Grein de Almeida Camargo; e Leonardo Meirelles, apontado como laranja do doleiro por meio do laboratório Labogen.

São réus neste processo da OAS:
- Alberto Youssef (suspeito de liderar o esquema de corrupção)
- João Alberto Lazzari (representante da OAS)
- Agenor Franklin Magalhães Medeiros (diretor-presidente da área internacional da OAS)
- José Aldemário Pinheiro Filho (presidente da OAS)
- Fernando Augusto Stremel Andrade (funcionário da OAS)
- José Ricardo Nogueira Breghirolli (apontado como contato de Youssef com a OAS)
- Matheus Coutinho de Sá Oliveira (funcionário da OAS)
- Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobras)
- Waldomiro de Oliveira (dono da MO Consultoria)

Dos nove réus, cinco estão presos na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba – Alberto Youssef, Agenor Medeiros, José Adelmário, José Ricardo e Matheus Coutinho. Paulo Roberto Costa está em prisão domiciliar, no Rio de Janeiro, enquanto os demais respondem em liberdade.

A acusação
O Ministério Público Federal do Paraná ofereceu denúncias contra 36 investigados na sétima fase da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal para investigar lavagem de dinheiro e evasão de divisas e que resultou na descoberta de um esquema de desvio de dinheiro e superfaturamento de obras da Petrobras.

Nelas, os procuradores da República listaram três crimes imputados aos investigados: corrupção, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público Federal, das 36 pessoas denunciadas, 23 são ligadas às empreiteiras Camargo Corrêa, Engevix, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, OAS  e UTC.

 
 
 

G1