Eletro Shopping e Insinuante passarão a ser Ricardo Eletro

Eletro Shopping e Insinuante passarão a ser Ricardo Eletro

Recém-recolocado no cargo, o presidente do grupo Máquina de Vendas, Ricardo Nunes, tem agenda hoje no Recife. Vai comunicar aos empregados que, a partir de março, as marcas Eletro Shopping e Insinuante sairão de cena e as lojas passarão a fazer parte da bandeira Ricardo Eletro. A mudança, que também vai incluir as outras empresas do grupo – City Lar e Salfer –, faz parte dos esforços da companhia para fazer frente aos impactos da crise no segmento e às próprias dificuldades internas.

A história da Máquina de Vendas começou em 2010, quando houve a fusão da baiana Insinuante e da mineira Ricardo Eletro. No ano seguinte, entrava no grupo a pernambucana Eletro Shopping e, depois, as Lojas Salfer, de Santa Catarina. A companhia, que está entre as maiores varejistas do País, não divulga quantas lojas tem no Nordeste nem em Pernambuco. Mas informações dos sites das varejistas apontam que Insinuante e Eletro Shopping, que atuam apenas no Nordeste, têm, juntas, mais de nove mil empregados e 373 unidades – 140 delas em Pernambuco, sendo 101 da Eletro Shopping e 39 da Insinuante.

Em entrevista ao JC, Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro, assegurou que a unificação das marcas não vai gerar fechamento de lojas ou demissões – um processo que, segundo ele, tem um único critério, o desempenho da unidade. O grupo está avaliando loja a loja. “Finalmente estamos mostrando o plano de sinergia da marca”, declarou o presidente em relação à decisão de usar somente a marca Ricardo Eletro para todas as mais de mil lojas do grupo em todo o País.

Ele se refere a movimentos que a Máquina de Vendas vem tentando fazer desde a fusão. Um exemplo é a troca de comando. Nunes já ocupou a presidência e saiu em 2014 para dar lugar a Richard Saunders, fundador da Eletro Shopping. Pouco depois, a decisão pela profissionalização da gestão levou ao cargo o ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar Enéas Pestana. Ele passou cerca de cinco meses na função, que voltou para Nunes no mês passado. Segundo matéria publicada pelo Valor Econômico na ocasião, análises do mercado verificaram “forte desacelaração nas vendas no ano passado e aumento da alavancagem”.

Oficialmente, o grupo não dá números sobre seus resultados. No entanto, demonstrativos financeiros disponíveis no site da companhia – de quando ainda havia planos de tentar abrir o capital – mostram que, em 2014, houve prejuízo líquido de R$ 48 milhões (R$ 3 milhões sem despesas não recorrentes). O contexto do varejo desse segmento também mostra um cenário negativo, com fim da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e queda de 14% nas vendas em 2015, o pior resultado em 14 anos, de acordo com o IBGE.

No mercado local, a vinda de Nunes confirma rumores de que a Eletro Shopping passaria por mudanças, segundo fontes ouvidas pela reportagem. O presidente da Máquina de Vendas disse que não há uma data para a conclusão da transição: “Será em médio prazo. Este ano vamos nos focar muito nos nossos processos internos”, comentou.

 

 

JCOnline