Eleição de líder do PMDB na Câmara terá candidatos pró e contra Dilma

Eleição de líder do PMDB na Câmara terá candidatos pró e contra Dilma

A eleição para a liderança da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados, prevista para ser realizada em fevereiro, terá pelo menos dois candidatos representando grupos pró e contra a presidente Dilma Rousseff. Parlamentares peemedebistas se reuniram na tarde desta terça-feira (12) no gabinete do atual líder da bancada, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), para tratar do assunto.

No encontro, ficou decidido que a eleição será secreta, a ser realizada na primeira ou terceira semana de fevereiro, e a data-limite para apresentar candidaturas é o dia 25 de janeiro.

O candidato do grupo aliado do Planalto já está definido e é o próprio Picciani. Nos últimos meses, ele se aproximou do governo, o que gerou descontentamento de uma ala dissidente da bancada.

Em dezembro do ano passado, em um movimento patrocinado pelo presidente nacional do partido e vice-presidente da República, Michel Temer, Picciano chegou a ser destituído do cargo pelo deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), que apresentou uma lista com assinaturas da maioria da bancada. Num contra-ataque e com a intervenção direta do Planalto, Picciani conseguiu reverter e apresentar nova lista que devolveu a ele o comando.

Desde então, o Planalto tem se empenhado na sua permanência no posto. Dilma chegou a oferecer a Secretaria de Aviação Civil para o deputado Mauro Lopes, da bancada mineira do PMDB, na tentativa de angariar os votos dos deputados do estado para Picciani. Oficialmente, ainda não há uma definição se haverá troca no comando da pasta.

Porta-voz do grupo contrário ao governo Dilma Rousseff, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) afirmou, após a reunião, que ofereceu a candidatura à bancada de Minas Gerais na tentativa de convencê-la a rejeitar a oferta de comandar a Secretaria de Aviação Civil. Neste caso, o nome mais provável para disputar a eleição com Picciani seria Quintão.

"Haverá duas indicações: a do atual líder e a nossa. O Palácio do Planalto está oferecendo um segundo ministério para Minas Gerais. A tinta do palácio está mais fraca mas tem tinta ainda na caneta. Nosso grupo espera a decisão do PMDB de Minas Gerais para indicar o nome. O PMDB quer um líder e não um ministério sem avião. O nosso grupo está dizendo, indiquem o líder. Será bom para MG e para o PMDB", afirmou Perondi.

O deputado do Rio Grande do Sul criticou a atuação de Picciani como líder por, segundo ele, não ter "ouvido" a totalidade da bancada em decisões tomadas ao longo de 2015.

"Defendemos reunir mais bancada, respeitar a opinião. Ele tem a nossa oposição, porque ele não conseguiu agradar durante seu trabalho como líder. Ele teve um ano trabalhando, mas não ouviu, discutiu pouco e não fez seminário", avaliou.

 

Quintão, que também participou da reunião, criticou a interferência do Planalto e disse que a votação secreta poderá minar qualquer esforço do governo de emplacar um candidato. “Com o voto secreto, não vai ser possível nenhum tipo de intimidação do governo”, disse.
 
Segundo ele, a bancada mineira deve se reunir na próxima segunda-feira (18) com o presidente da Executiva estadual de Minas, Antônio Andrade, para tentar definir um candidato.
 
Quórum de votação
Um dos pontos de polêmica no procedimento de escolha do líder do PMDB é o quórum para aprovação do nome. O grupo contrário a Dilma quer manter acordo feito no início de 2015 com Picciani, pelo qual o atual líder só poderia ser reconduzido com o voto de dois terços dos deputados da bancada (44 dos 67 deputados).
 
Após a reunião desta segunda com deputados do partido, Picciani defendeu que a escolha seja por maioria absoluta e não dois terços. Segundo ele, qualquer tipo de acordo foi quebrado quando a ala oposicionista o substituiu da liderança após apresentar uma lista com adesão de mais da metade da bancada.
 
“Para ser líder, é preciso do voto da maioria da bancada. Eles próprios defenderam essa tese ao apresentar uma lista para me substituir na liderança com apenas um nome a mais que metade da bancada do PMDB”, disse.
 
 

 

G1