Duque diz que esposa não é parente de Dirceu e nunca esteve com Lula

Duque diz que esposa não é parente de Dirceu e nunca esteve com Lula

O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque afirmou nesta quinta-feira (19) à CPI da Petrobras que sua esposa não tem parentesco com o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e que ela nunca esteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acusado de participar do esquema de corrupção que atuava na estatal, Duque havia dito que ficaria calado durante toda a sessão, mas decidiu romper o silêncio e responder a uma pergunta que mencionava sua mulher.

"Não tenho nenhum problema de responder questão de parentesco. Basta olhar a árvore genealógica de um, a árvore genealógica de outro. Não tenho nenhum parentesco, nem nunca teve, nem esposa, nem ninguém. Minha esposa nunca esteve com o presidente Lula, nunca esteve com [Paulo] Okamotto", afirmou o depoente em resposta a uma pergunta do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF).

 

Conforme notícia que circulou na internet, a mulher de Duque seria parente de Dirceu e teria procurado Paulo Okamotto, amigo de Lula, para pedir que o ex-presidente intercedesse junto ao Supremo Tribunal Federal para que Duque fosse solto.

O ex-diretor foi preso em novembro do ano passado e solto 20 dias depois após decisão do ministro Teori Zavascki, relator dos inquéritos da Lava Jato no STF. Na última segunda (16), ele voltou a ser preso a mando do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, após realizar movimentações bancárias suspeitas em contas na Suíça.

Ao responder a uma pergunta do deputado do PSDB, Duque afirmou entender como “uma ameaça” a disposição de integrantes da CPI de convocar sua mulher a falar na comissão. A convocação foi defendida, ao longo da sessão, por parlamentares do DEM, do PSDB e pelo deputado Darcísio Perondi (RS), do PMDB.

"Estou respondendo contrariando a orientação do meu advogado porque vejo o deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS) falando a toda hora que tem que convocar a minha esposa. Eu estou entendendo como uma ameaça”, disse o ex-diretor da Petrobras.

Depois de responder à pergunta de Izalci, Duque acabou se pronunciando novamente. Em resposta a uma pergunta do deputado Ivan Valente (PSOL-RJ), o ex-diretor disse não conhecer o doleiro Alberto Yousseff, preso na Operação Lava Jato e acusado de ser um dos operadores do esquema de pagamento de propina na Petrobras. "Vou ficar calado e não conheço senhor Yousseff", afirmou Duque.

 

Duque está detido na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba. Para depor aos deputados federais, ele foi conduzido em um avião da PF até Brasília.

Ele deixou a carceragem da Polícia Federal na capital paranaense por volta das 5h desta quinta. Por ordem do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processo da Lava Jato na primeira instância, Duque foi escoltado sem algemas ao plenário da CPI.

Como foi denunciado no processo da Lava Jato, Duque não tem obrigação de jurar falar a verdade à comissão e pode se recusar a responder às perguntas dos parlamentares, na medida em que a Constituição não exige que os cidadãos produzam provas contra si mesmo.

Filho
Às 14h25, Renato Duque voltou a romper o silêncio ao para responder uma pergunta elaborada pela deputada Eliziane Gama (PPS-MA) que envolvia o filho do ex-diretor da estatal. A parlamentar oposicionista questionou se o filho dele trabalhava fora do Brasil em uma empresa que seria sócia da UTC Engenharia, uma das empreiteiras acusadas de participar do cartel que combinava preços em licitações da Petrobras.

“Estaria seu filho envolvido nesse esquema, inclusive com possibilidade de não retornar ao Brasil? Ou seria ele mais uma vítima?”, perguntou a deputada.

Duque respondeu que seu filho trabalhou no passado em uma petroleira norte-americana que, segundo ele, não tem qualquer relação com a UTC.

“A Technics não tem nada a ver com a UTC. É uma das maiores empresas na área de petróleo do mundo. Vamos desvincular da UTC. É muito maior que a UTC. Meu filho trabalhou nessa empresa em Houston (EUA) e um tempo no Brasil. É economista formado, foi recrutado por um head hunter. Quando ele foi recrutado, eu fiz uma consulta formal à Petrobras e ela respondeu: ‘Pode trabalhar, não tem problema nenhum’. Um tempo depois, ele retornou ao Brasil e deixou a empresa para abrir seu próprio negócio”, relatou.

Arte lava jato balanço (Foto: Arte/G1)

 

 

 

 

G1