Dono da UTC diz que começou a pagar propina ao PT em 2004

Dono da UTC diz que começou a pagar propina ao PT em 2004

O Jornal Nacional teve acesso com exclusividade a uma parte do depoimento de delação premiada do dono da UTC, Ricardo Pessoa.

Ricardo Pessoa prestou depoimentos da delação premiada durante vários meses, em Brasília. O documento ao qual o Jornal Nacional teve acesso é de maio. Nele, Pessoa afirmou que começou a pagar propina ao PT em 2004. E que só em 2008 funcionários da Petrobras passaram também a cobrar valores.

Em outros depoimentos ele já tinha dito que pagava propina ao ex-diretor Renato Duque a ao ex-gerente Pedro Barusco.

Em maio, Ricardo Pessoa disse que quem indicou Renato Duque para a diretoria da Petrobras foi o ex-ministro José Dirceu. E que Duque era funcionário de carreira e foi pulando cargos até chegar à Diretoria de Serviços.

Sobre os pagamentos ao PT, Pessoa afirmou que deixava algum saldo de propina para perto da campanha porque já sabia que nessa época cresciam sempre as solicitações por parte do PT.

Pessoa disse ainda que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto já ia conversar sobre os pagamentos com o conhecimento completo da situação, tendo detalhes da obra, do valor e tendo conhecimento que a UTC havia vencido o contrato.

 

E que, às vezes, Vaccari pedia dinheiro em espécie por fora. Mas não soube dizer os motivos. No depoimento, Pessoa disse ainda que Vaccari era “PT na testa, sindicalista, um soldado do partido que queria manter o PT no poder”.
 
No depoimento a que o Jornal Nacional teve acesso, o dono da UTC fez um balanço da propina paga ao Partido dos Trabalhadores de 2004 até o ano passado. Ele disse na delação que nesses dez anos pagou entre doações oficiais e entregas de dinheiro vivo mais de R$ 20,5 milhões.

 

A defesa de José Dirceu reafirmou que ele não foi responsável pela indicação de Renato Duque à diretoria da Petrobras. A defesa disse ainda que isso já foi dito publicamente pelo próprio Duque.

O PT reafirmou que todas as doações foram legais e declaradas à Justiça Eleitoral.

A defesa de João Vaccari Neto disse que as afirmações de Ricardo Pessoa não são verdadeiras. E reafirmou que João Vaccari jamais recebeu ou pediu dinheiro vindo de propina. A defesa disse que todas as solicitações de doações ao partido feitas por Vaccari foram legais, com depósitos na conta bancária do PT e declaradas às autoridades.

Pedro Barusco tem dito que confirma todas as declarações da delação premiada.

O Jornal Nacional não conseguiu contato com o advogado de Renato Duque.

 

 

 

G1