Dominando 22 línguas, robôs dançam Michael Jackson, PSY e podem revolucionar educação

Dominando 22 línguas, robôs dançam Michael Jackson, PSY e podem revolucionar educação

Com apenas 57 centímetros e muito a ensinar, o robô humanoide NAO (cérebro em chinês), da empresa francesa Aldebaran, está presente no maior evento de robótica do mundo, a Robocup, sediada neste ano em João Pessoa, capital paraibana. O pequeno gênio francês é um dos tipos de robôs que disputam partidas de futebol no evento no Centro de Convenções da Paraíba, mas reúne outras diversas qualidades.

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No evento mundial que tem apoio da FIFA, os NAOs compõem uma das 17 ligas de futebol, a stand up platform, modelo utilizado por diversas universidades do mundo, que trouxeram humanoides para a busca pela conquista do mundial de robótica, que possui entre os principais objetivos incentivar o desenvolvimento tecnológico para que em a seleção da Copa do Mundo de 2050 dos humanos possa enfrentar a seleção campeã de robôs.

Mas se engana quem pensa que a pequena máquina só está habilitada para trocar passes, realizar dribles e fazer gols. Os robôs possuem inúmeras habilidades ligadas à inteligência artificial e já vêm sendo utilizados nas escolas desde a educação infantil, incluindo a interação com autistas, até as universidades de várias partes do mundo, inclusive no Brasil, onde a Universidade de São Paulo, a rede de ensino municipal do Recife e o Sesi já utilizam a máquina voltada para a educação.

Segundo o distribuidor da tecnologia no Brasil, Artur Mainardi Junior, a inovação pode trazer diversos benefícios para educação brasileira, uma vez que os humanoides possuem uma plataforma bastante versátil, podendo ensinar 22 línguas, diversas programações como Java, C++ e Matlab, entre outras inúmeras funcionalidades que se adequam às necessidades dos usuários.

“Eu acredito que nenhum robô nasce para jogar futebol, ele acaba jogando também. São muitas programações e estratégias realizadas pelas universidades presentes na Robocup para aperfeiçoar a atuação dele em campo. Hoje o NAO no Brasil só pode ser adquirido por instituições de ensino e custa em média R$ 100 mil, contando com material didático e capacitação”, disse ele.

O distribuidor ainda afirmou que ficou bastante preocupado quando soube que o Brasil iria sediar um evento de grande importância para a robótica mundial, mas se surpreendeu com a estrutura montada na Paraíba, devido ao tamanho e à qualidade. Ao falar das dificuldades encontradas para trazer a nova tecnologia para o Brasil, Artur Mainardi revelou-se insatisfeito com alguns pontos. 

"O maior empecilho é a questão tributária e alfandegária e a maior decepção é a Receita Federal brasileira que classifica o NAO como brinquedo, mesmo depois de ter um laudo da USP, caracterizando o robô como material de pesquisa, o que aumenta muito o imposto, elevando ainda mais o custo”, afirmou ele.

Confira outra habilidade do NAO, a dança. Essa pequena máquina sabe muito bem como performar sucessos de artistas como PSY e até mesmo o Rei do Pop, Michael Jackson.

Utilizando os NAOs, diversos cientistas da computação e engenheiros estrangeiros lotaram a capital paraibana para mostrar o trabalho desenvolvido nas universidades de vários países, através das competições que são realizadas com uso de programações prévias, permitindo que em campo os robôs sejam autossuficientes.

Um dos programadores responsáveis pela equipe de futebol entre robôs dos Estados Unidos, Jake Benjamin, 25 anos, revelou estar impressionado com a beleza da Capital, mas ainda não conseguiu aproveitar muito devido a Robocup, que segundo ele também o deixou impressionado pela grande estrutura. O programador norte-americano revelou algumas das dificuldades da função dele nos jogos.

“Nós fazemos tudo para não ter tanto contato físico com os robôs, toda atenção é mais voltada para a programação, mas os sistemas são muito complexos e além deles os robôs também quebram muito”, disse ele.

Segundo Benjamin, o primeiro contato com a robótica aconteceu quando ele foi monitor de uma feira do seguimento, onde acabou se apaixonando pela área aos 15 anos. Hoje, 10 anos depois, o americano é um dos estudantes da Universidade do Texas e tem suas pesquisas direcionadas às ciências da computação aplicadas aos robôs humanoides.

Sobre os gastos com a vinda ao Brasil e os sonhos para o futuro, Benjamin se mostrou bastante confortável. “Todos os gastos, desde as passagens até as hospedagens e necessidades dos estudantes, são cobertos pela Universidade do Texas, eles se encarregam de resolver tudo isso para nós. Hoje eu sonho em usar meus estudos para ajudar as pessoas em suas necessidades, fazer com que os robôs estejam cada vez mais ligados aos seres humanos”, afirmou ele.

O campeonato mundial de robótica é considerado o maior evento neste seguimento no mundo e teve início nesse sábado (19), no Centro de Convenções Ronaldo Cunha Lima, que fica no Altiplano Cabo Branco, e vai até a próxima quinta-feira (25). O evento reúne cerca de 400 equipes, com mais de 3 mil participantes.

 

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