Dólar sobe com intervenção do BC; Bolsa ganha 2,42% e tem maior pontuação em 23 meses

Dólar sobe com intervenção do BC; Bolsa ganha 2,42% e tem maior pontuação em 23 meses

Depois de sete quedas consecutivas, o dólar voltou a subir ante o real nesta quinta-feira (11). A moeda americana reagiu à ampliação da atuação do Banco Central no câmbio.

O BC aumentou a oferta diária de contratos de swap cambial reverso de 10.000 para 15.000 contratos nesta quinta-feira (11), no montante de US$ 750 milhões.

O Ibovespa se recuperou da perda de 1,33% na véspera e subiu 2,42%. O índice fechou acima dos 58.000 pontos pela primeira vez neste ano e atingiu a maior pontuação em quase 23 meses.

O índice seguiu o bom humor externo provocado pela alta de mais de 4% dos preços do petróleo no mercado internacional.

O ministro da Energia saudita Khalid al-Falih disse que membros e não membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) vão discutir a situação do mercado, incluindo qualquer ação que possa ser necessária para estabilizar os preços, durante uma reunião informal nos dias 26, 27 e 28 de setembro na Algéria.

A alta da commodity também foi influenciada por relatório da AIE (Agência Internacional de Energia), que projetou uma "saudável" queda nos estoques globais de petróleo nos próximos meses.

O petróleo Brent, negociado em Londres, subiu 4,5%, a US$ 46,04 o barril; petróleo tipo WTI, negociado em Nova York, ganhou 4,3%, a US$ 43,39 o barril.

No campo doméstico, os investidores se animam com a proximidade do julgamento final da presidente afastada Dilma Rousseff no processo deimpeachment.

O otimismo se sobrepôs às incertezas em relação ao ajuste fiscal após os recuos do governo Temer no projeto de renegociação das dívidas dos Estadoscom a União.

Analistas citam que declarações do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ajudaram a manter o tom positivo no mercado. Meirelles afirmou nesta quinta-feira que o que mais importa no acordo com os Estados e no ajuste das contas federais é o teto dos gastos.

CÂMBIO E JUROS

O dólar comercial fechou em alta de 0,28%, a R$ 3,1410, enquanto o dólar à vista avançou 0,06%,a R$ 3,1390.

Todos os 15.000 contratos de swap cambial reverso ofertados pelo Banco Central nesta quinta-feira foram leiloados. A operação equivale à compra futura de dólares.

O BC vinha ofertando quase diariamente 10.000 contratos, no valor de US$ 500 milhões desde 1 de julho, quando voltou a atuar no câmbio, já sob o comando de Ilan Goldfajn.

A medida tem o objetivo de reduzir a volatilidade no câmbio e diminuir o estoque de swap cambial tradicional (que corresponde à venda futura da moeda americana) do BC.

Atualmente, o estoque de swap cambial tradicional está em US$ 47,850 bilhões.

José Faria Júnior, diretor-técnico da Wagner Investimentos, destaca que aproximadamente US$ 29 bilhões em contratos de swap cambial tradicional vencem este ano. "A estratégia de elevar a intervenção pode dar um pouco mais de sustentação para a cotação do dólar no curto prazo, mas, neste ritmo de US$ 750 milhões, o estoque de swaps acabará no início de novembro", escreve, em relatório.

Segundo o profissional, para conter a queda do dólar ante o real, seria necessária uma redução no diferencial de juros (diferença entre a taxa brasileira e as de outros países). "O problema é que o mercado local aposta em queda da Selic somente na última reunião do Copom deste ano e o mercado dos EUA aposta em alta de juros pelo Fed somente em meados de 2017."

Ele acrescenta que outra alternativa para conter a queda do dólar seria uma reversão na tendência de alta de longo prazo das commodities, "fato que não é muito provável".

"É uma sinalização do BC de que não está satisfeito com a queda forte do dólar, mas para mudar esta situação a oferta de swap reverso teria que ser bem maior", afirma Ilha.Para Hideaki Ilha, operador da Fair Corretora, o aumento para 15.000 contratos de swap cambial reverso não tem o poder de reverter a tendência de baixa do dólar, em meio a um cenário de excesso de liquidez mundial e de juros altos no Brasil.

Ele acrescenta que a percepção de investidores é de que o presidente Michel Temer só terá plenas condições de implementar o ajuste fiscal se for efetivado no cargo, no caso de impeachment de Dilma Rousseff. "A partir daí, conforme o desempenho do governo, a lua-de-mel com o mercado pode acabar."

O BC anunciou para esta sexta-feira (12) mais um leilão de até 15.000 contratos de swap cambial reverso.

No mercado de juros futuros, o contrato de DI para janeiro de 2017 subiu de 13,950% para 13,965%; o contrato de DI para janeiro de 2018 ficou estável em 12,650%; e o DI para janeiro de 2021 avançou de 11,860% para 11,890%.

O CDS (credit default swap) brasileiro de cinco anos, espécie de seguro contra calote e indicador de percepção de risco, caía 1,45%, aos 258,252 pontos, renovando a menor pontuação desde julho de 2015.

BOLSA

O Ibovespa fechou em alta de 2,42%, aos 58.299,57 pontos. É a maior pontuação desde 18 de setembro de 2014 (58.374,48 pontos). O giro financeiro foi de R$ 7,9 bilhões.

Beneficiadas pela recuperação dos preços do petróleo, as ações PN da Petrobras subiram 4,67%, a R$ 12,10, e as ON ganharam 3,95%, a R$ 13,68. A companhia divulga seu balanço do segundo trimestre nesta quinta-feira à noite.

Os papéis PNA da Vale avançaram 2,27%, a R$ 15,75 (PNA), e os ON, +1,76%, a R$ 18,41, mesmo com a queda do minério de ferro na China.

No setor financeiro, Banco do Brasil ON subiu 5,65%, a R$ 22,05, apesar de o lucro líquido ajustado —que exclui efeitos extraordinários— do BB ter caído 40,8% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2015, para R$ 1,801 bilhão.

Analistas destacam a melhora da margem financeira do BB. Essa receita foi de R$ 14,6 bilhões no segundo trimestre, alta de 17,5% em um ano.

Itaú Unibanco PN ganhou 2,55%; Bradesco PN, +2,96%; Bradesco ON, +2,41%; Santander unit, +3,87%; e BM&Bovespa ON, +2,57%.

EXTERIOR

Impulsionados pela alta do petróleo e por resultados corporativos positivos, os índices acionários tiveram ganhos expressivos nos Estados Unidos e na Europa.

Na Bolsa de Nova York, índice S&P 500 encerrou o pregão com ganho de 0,47%; o Dow Jones, +0,64%; e o Nasdaq, +0,46%. Os três índices bateram recordes históricos de pontuação juntos pela primeira vez desde 1999.

Na Europa, a Bolsa de Londres fechou em alta de 0,70%; Paris, +1,17%; Frankfurt, +0,86%; Madri, +0,70%; e Milão, +1,06%.

As Bolsas chinesas terminaram a sessão em baixa. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve queda de 0,31%, enquanto o índice de Xangai perdeu 0,53%. Em Tóquio, o índice Nikkei não operou.

 

 

 

Folha de São Paulo