Dólar fecha em queda, com cautela do mercado sobre Brasil

Dólar fecha em queda, com cautela do mercado sobre Brasil

O dólar fechou em queda nesta terça-feira (1), após a divulgação de dados mistos sobre a economia dos Estados Unidos. Investidores adotam cautela antes de importantes eventos políticos no cenário brasileiro, que vêm ditando os movimentos do mercado nas últimas semanas. Além disso, foi divulgada a queda do PIB de 1,7% ante o trimestre anterior – a maior para um período de julho a setembro desde 1996.

A moeda norte americana caiu 0,81%, a R$ 3,8549 para venda, após atingir R$ 3,9045 na máxima e R$ 3,8346 na mínima da sessão. Veja a cotação do dólar hoje. No ano, há valorização acumulada de 44,99%.

Veja a cotação ao longo do dia
Às 9h10, queda de 0,78%, a R$ 3,868.
Às 9h50, queda de 0,26%, a R$ 3,8765.
Às 10h40, alta de 0,35%, a R$ 3,90.
Às 11h10, alta de 0,15%, a R$ 3,8955.
Às 11h30, queda de 0,2%, a R$ 3,8786.
Às 12h49, queda de 0,57%, a R$ 3,9045.
Às 13h49, queda de 0,931%, a R$ 3,8503.
Às 14h25, queda de 1,19%, a R$ 3,8403.
Às 14h50, queda de 1,09%, a R$ 3,844.
Às 15h29, queda de 0,65%, a R$ 3,861.
Às 16h, queda de 0,64%, a R$ 3,8617.

 

A moeda norte-americana recuou firmemente contra os pesos chileno e mexicano, influenciada também por expectativas de novos estímulos na China após números fracos sobre a indústria na segunda maior economia do mundo.

"O mercado externo ficou bastante favorável ao longo do dia. Os dados dos EUA deram um pouco mais de força a um clima de apetite por risco que já vinha desde cedo", disse à Reuters o operador de uma corretora internacional, sob condição de anonimato.

A atividade na indústria nos EUA contraiu em novembro pela primeira vez em 36 meses, pressionada pela alta do dólar e por cortes de gastos no setor de energia, segundo dado do Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM, na sigla em inglês).

Operadores afirmaram que a fraqueza no setor poderia servir de argumento para que o Federal Reserve, banco central norte-americano, espere um pouco mais antes de elevar os juros no país, o que favoreceria mercados emergentes.

No Brasil
No entanto, os volumes de negócios eram limitados e a volatilidade continuava alta, com investidores evitando fazer grandes operações antes de importantes eventos políticos no Brasil.

"O mercado está bastante cauteloso em um cenário de forte volatilidade, esperando novas notícias vindas do Congresso", resumiu à Reuters o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.

O mercado ficou atento a expectativas sobre votação do Conselho de Ética em caráter preliminar do processo contra o presidente daCâmara dos Deputados, Eduardo Cunha(PMDB-RJ), e que pode resultar na sua cassação. Novas denúncias contra ele alimentaram preocupações de que possa reagir apoiando a abertura de eventual processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, aumentando ainda mais a incerteza política.

Mais tarde, às 19h, o Congresso deve votar a nova meta de resultado fiscal do governo para 2015, após adiar a apreciação do tema na semana passada depois da prisão do ex-líder do governo no Senado,Delcídio do Amaral(PT-MS). Investidores temem que a turbulência política signifique que o governo enfrentará mais dificuldades para aprovar medidas de ajuste fiscal no Congresso.

Intervenção do BC
Também contribuía para limitar os movimentos do mercado a atuação do Banco Central, que realizarou nesta tarde leilão de venda de até US$ 500 milhões com compromisso de recompra. Segundo a assessoria de imprensa do BC, a operação não tem como objetivo rolar contratos já existentes.

 

Além disso, o BC seguiu seu programa diário de interferência no câmbio e deu início à rolagem dos swaps cambiais que vencem em janeiro, sinalizando que deve repor integralmente os contratos equivalentes à venda futura de dólares.

"A estratégia do BC parece ser deixar claro que ele está disposto a entrar no mercado para evitar exageros, mas deixar a moeda seguir seu rumo com base nos fundamentos. Isso deixa o mercado um pouco mais calmo", disse à Reuters o superintendente de derivativos da corretora de um banco nacional.

 

G1