Dólar fecha acima de R$ 3,60 pela primeira vez desde 2003

Dólar fecha acima de R$ 3,60 pela primeira vez desde 2003

O dólar anulou a queda e voltou a fechar em alta em relação ao nesta terça-feira (25), descolando-se de outros mercados emergentes, em meio ao cenário político conturbado no Brasil que vem deprimindo o ânimo de investidores no mercado local.

A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 3,6084, para venda, em alta de 1,57%. Veja cotação. A moeda voltou a atingir o maior valor desde 2003.

Na mínima do dia, a divisa recuou 1,10%, a R$ 5,5135, reagindo ao anúncio de medidas de apoio à economia da China.

Veja as cotações do dólar nesta terça:

Às 10h51: R$ 3,5335, baixa de 0,53%.
Às 11h30: R$ 3,5340, baixa de 0,52%.
Às 13h41: R$ 3,5515, baixa de 0,03%.
Às 14h19: R$ 3,5720, alta de 0,54%.
Às 14h33: R$ 3,5730, alta de 0,58%.
Às 15h33: R$ 3,5851, alta de 0,92%.
Às 16h19: R$ 3,5891, alta de 1,03%

As bolsas chinesas repetiram o forte tombo da véspera e fecharam em queda de mais de 7%, mas os mercados europeus mostravam recuperação nesta terça.

Mais cedo, a queda do dólar veio após o banco central da China cortar as taxas de juros e, ao mesmo tempo, afrouxar as taxas de compulsório pela segunda vez em dois meses.

"O mercado estressou bastante, de uma hora para a outra. Mesmo com essa melhora da China, a sensação é que as coisas estão muito ruins, principalmente em relação à política (no Brasil)", disse à Reuters o operador de uma corretora nacional.

Na terça-feira, o vice-presidente da República, Michel Temer, deixou o "dia a dia" da articulação política do governo, que vem enfrentando atritos com o Congresso e, em especial, com integrantes de seu partido, o PMDB. Nesta terça-feira, contudo, Temer afirmou que seguirá na coordenação, mas "formatada de outra maneira".

Reação do BC chinês
Após o fechamento dos mercados na Ásia, o Banco Popular da China (banco central chinês) anunciou nesta terça que cortou suas taxas de juros e, ao mesmo tempo, afrouxou as taxas do depósito compulsório (reserva obrigatória feita pelos bancos) pela segunda vez em dois meses, como estímulo à economia e em apoio ao mercado acionário, cuja forte queda afetou o resto do mundo.

A forte turbulência nos mercados na segunda teve como pano de fundo as preocupações com a China, diante das indicações de que a desaceleração da economia chinesa poderá ser maior do que vêm indicando as projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) oficial.

O índice CSI300, das maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 7,1% para 3.042 pontos, enquanto o índice de Xangai fechou com perda de 7,6% a 2.965 pontos.

No Japão, a Nikkei 225 de Tóquio fechou com perdas de 3,96%, embora tenha passado a maior parte do pregão estável em quase 1%. O segundo indicador, o Topix, que reúne os valores da primeira seção, caiu 3,25%. Em Hong Kong, a Hang Seng reagiu e fechou em alta de 0,72%.

Intervenção do BC no câmbio
Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 11 mil contratos de swap cambial tradicional, que equivalem a venda futura de dólares, para a rolagem do lote que vence no próximo mês. Ao todo, o BC já rolou US$ 8,093 bilhões, ou cerca de 81%, do total de US$ 10,027 bilhões e, se continuar neste ritmo, vai recolocar o todo o lote.

Véspera
Na última sessão, o dólar fechou a R$ 3,5525, em alta de 1,62% ante o real, na maior cotação de fechamento desde 5 de março de 2003, quando foi negociado a R$ 3,555.

Na máxima da sessão, o dólar chegou a subiu 2,43%, negociado a R$ 3,5809, nível mais alto no intradia desde 27 de fevereiro de 2003, quando foi a R$ 3,6050. No mês o dolar acumula alta de 3,73%. No ano, a valorização é de 33,62% frente ao real.

A maior cotação do ano até então tinha sido no fechamento do dia 6 de agosto, quando o dólar encerrou a R$ 2,5374.

 

 

 

 

G1