Dólar cai para R$ 3,53

Dólar cai para R$ 3,53

O real teve a maior valorização nesta quarta-feira (4) entre as principais moedas globais, apesar do cenário externo negativo, com queda das commodities e alta do dólar em quase todos os mercados.
Contribuiu para a baixa da moeda americana no Brasil o fato de o Banco Central não ter atuado no câmbio nesta sessão.

O dólar voltou a subir globalmente depois que dirigentes do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) indicaram que os juros americanos podem subir em junho.

Além disso, temores de desaceleração global, resultados corporativos ruins e indicadores econômicos fracos derrubaram as Bolsas globais. O Ibovespa, no entanto, se descolou do mercado externo e fechou em alta, mesmo com a forte baixa dos papéis da Vale.

Após dois dias de ganhos, o dólar à vista fechou em queda de 0,94%, a R$ 3,5314; o dólar comercial perdeu 0,79%, a R$ 3,5408.

O Banco Central não anunciou para esta sessão leilão de swap cambial reverso, equivalente à compra futura da moeda americana pela autoridade monetária.

"Está claro que o BC só deve voltar a atuar no mercado de câmbio quando o dólar ficar abaixo de R$ 3,50", avalia Cleber Alessie, operador da corretora H.Commcor.

Para Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, ainda persiste uma pressão vendedora de dólares no país. Os motivos são a aproximação da votação do processo de impeachment Dilma Rousseff no plenário do Senado e as perspectivas em relação ao provável governo de Michel Temer. "Por isso é que, sem ação do BC, o dólar voltou a cair."

Esse otimismo de investidores em relação ao cenário político se mistura com uma certa cautela, que se refletiu no mercado de juros futuros, especialmente nas taxas de longo prazo. O contrato de DI para janeiro de 2017 avançou de 13,655% para 13,665%; o DI para janeiro de 2021 subiu de 12,490% para 12,630%.

"As incertezas quanto aos nomes que comporão o ministério Temer e quem assumirá o BC continuam a permear os negócios e a incutir cautela aos investidores, na medida em que o perfil de quem assumir poderá definir quando começará a esperada queda dos juros", comentam os analistas da Lerosa Investimentos, em relatório.

O CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote e indicador da percepção de risco do país, avançava 0,18%, aos 344,324 pontos.

Bolsa

O Ibovespa fechou em alta de 0,56%, aos 52.552,80 pontos. O giro financeiro foi de R$ 7,3 bilhões.
Segundo operadores, o principal índice da Bolsa paulista se descolou dos principais pares globais em um movimento de recuperação após quatro quedas seguidas.

Os papéis de bancos subiram depois do tombo da véspera: Itaú Unibanco PN ganhou 2,45%; Bradesco PN, +4,26%; Banco do Brasil ON, +2,15%; e Santander unit, +2,38%.

As ações da Petrobras fecharam em alta, apesar da volatilidade dos preços do petróleo no mercado internacional. O papel PN ganhou 1,43%, a R$ 9,92, e o ON, +1,09%, a R$ 12,96.

A petroleira anunciou na noite desta terça-feira (3) a conclusão de venda de ativos na Argentina e no Chile.

As ações da Vale recuaram com a queda do minério da China e a ação do MPF (Ministério Público Federal) que pede reparação de R$ 155 bilhões pelo rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG). Também são alvo da ação a Samarco e a BHP Billiton.

Vale PNA perdeu 5,33%, a R$ 13,83, e Vale ON, -6,75%, a R$ 17,40.

Na Europa, as ações da anglo-australiana BHP também tiveram forte baixa em função da ação do MP. A BHP e a Vale são controladoras da Samarco.

Exterior

Pelo segundo dia seguido, a aversão ao risco prevaleceu nos mercados acionários internacionais. Resultados corporativos ruins e indicadores econômicos fracos reavivaram os temores de desaceleração global.

Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones fechou em baixa 0,56%; o S&P 500, -0,59%; e o Nasdaq, -0,79%.

Na Europa, a Bolsa de Londres fechou em baixa de 1,19%; Paris, -1,09%; Frankfurt, -0,99%; Madri, -1,26%; e Milão, -0,17%.

Na Ásia, as Bolsas também caíram.

 

 

 

 

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