Divergências chegam a partidos pequenos e PSTU e PCB cobram espaços ao PSOL

Divergências chegam a partidos pequenos e PSTU e PCB cobram espaços ao PSOL

As direções estaduais do PSTU e do PCB divulgaram uma carta aberta ao PSOL no final da tarde deste domingo (25) cobrando do partido abertura de diálogo para a concretização da união entre eles na Paraíba.

O PSTU e o PCB sustentam que o PSOL já lançou nomes para governador e senador na chapa majoritária, restando aos dois primeiros partidos os cargos vice e 1º suplente de senador. “Tal proposta é inaceitável, pois não garante aos demais partidos construtores da Frente de Esquerda um espaço para também dialogarem com o povo paraibano”, diz a carta.

Mais adiante, as duas legendas reforçam a disposição de construir a Frente de Esquerda, mas cobram igualdade nas decisões. “Acreditamos que não é com postura hegemonista, da parte de um/a destes/as que construiremos, nas eleições e nas lutas, algo efetivamente alternativo, com caráter definido de classe, para fazer avançar a consciência de nosso povo”.

Confira a carta aberta:

As jornadas de junho de 2013 deixaram marcas profundas, ainda hoje se percebe os reflexos daquele momento, com greves, passeatas e manifestações em vários lugares. As eleições de 2014 serão marcadas por essa onda de lutas e esse sentimento de inquietação que ainda é possível se ver nas ruas deste país.

A partir disso, nosso povo passou a ter um entendimento cada vez maior de que, se lutar, é possível vencer. As inúmeras greves e atos que, desde junho/13, sacodem este país, é uma prova inconteste da importância desse processo, que continua em aberto.

Assim, desde aquele momento, quando as forças da esquerda socialista deste país, ajudaram a construir este processo, buscando unificar todas as lutas que vêm ocorrendo a partir de então, surgiu também no imaginário coletivo da vanguarda de nosso país, a necessidade da construção de uma unidade entre essas forças também no terreno eleitoral deste ano, para que assim possamos evidenciar, neste processo onde o que prevalece é o poder econômico, uma proposta alternativa, que tenha respaldo nas lutas de nosso povo.

A Frente de Esquerda sonhada e construída em alguns estados do país é uma resposta à essa necessidade que a vanguarda das jornadas de junho se impôs a cobrar do PSTU, PSOL e PCB. Não é possível deixar nossa classe à mercê dos discursos e propostas enganadoras, seja do PT ou PSDB, nem muito menos à dobradinha PSB/Rede.

É preciso apresentar uma saída pela esquerda, que resgate as bandeiras históricas de nossa classe, “esquecidas” pelo PT. Não queremos a volta da direita ao poder, mas não podemos concordar com a política igualmente entreguista praticada pelo governo do PT, ao longo dos últimos 12 anos.

Infelizmente, não foi possível construir a Frente de Esquerda em nível nacional, mas isso não impede, de forma alguma, que possamos nos unificar nos estados e construir esta ferramenta para a classe trabalhadora. Assim estamos pensando e construindo na Paraíba.

Porém, para que possamos ter uma Frente de Esquerda consequente, é fundamental não apenas construirmos o programa mínimo, comum aos partidos envolvidos nesta caminhada, como também que seja assegurada a TODOS os partidos uma posição na chapa majoritária (governador. vice e senador). Estamos construindo o programa de forma coletiva, através de GT’s que elaborarão as linhas mestras deste e, após este passo, definiremos o programa em um seminário, envolvendo não apenas os partidos PSTU, PSOL e PCB, mas o conjunto da militância que se dispuser a colaborar conosco nesta elaboração.

A postura da direção do PSOL, porém, coloca um entrave à construção efetiva da Frente de Esquerda em nosso estado. O PSOL deseja ocupar as posições de governador e senador na chapa majoritária, restando ao PSTU e PCB os demais cargos (vice e 1º suplente de senador). Tal proposta é inaceitável, pois não garante aos demais partidos construtores da Frente de Esquerda um espaço para também dialogarem com o povo paraibano.

O PSTU e o PCB desejam construir a Frente de Esquerda, mas de forma democrática e igualitária, respeitando todos/as os/as atores/atrizes envolvidos/as neste processo. Acreditamos que não é com postura hegemonista, da parte de um/a destes/as que construiremos, nas eleições e nas lutas, algo efetivamente alternativo, com caráter definido de classe, para fazer avançar a consciência de nosso povo.

Chamamos a direção estadual do PSOL a rever esta posição, bem como a todos/as lutadores/as de nosso estado a fazer com que consigamos organizar a Frente de Esquerda na Paraíba, de forma a garantir não apenas a construção coletiva de um programa direcionado à nossa classe, como também fazer garantir o espaço democrático e igualitário aos partidos que estão à frente deste processo – PSTU, PSOL e PCB – na composição da chapa que apresentaremos ao povo paraibano em outubro próximo.

 

Paraíba, maio de 2014.

 DIREÇÃO ESTADUAL PSTU/PB

DIREÇÃO ESTADUAL PCB/PB