Discursos pró-impeachment da presidente Dilma predominam em convenção do PMDB

Discursos pró-impeachment da presidente Dilma predominam em convenção do PMDB

O impeachment da presidente Dilma Rousseff, o rompimento com o governo e um maior protagonismo do PMDB na política nacional deram o tom dos discursos na manhã deste sábado (12) na convenção nacional do partido, em Brasília.

Embora o PMDB detenha seis ministérios, nenhum dos oradores inscritos para discursar defendeu o governo. Estavam presentes à convenção os ministros Hélder Barbalho (Portos), Marcelo Castro (Saúde), Eduardo Braga (Minas e Energia), Henrique Alves (Turismo) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), mas nenhum deles se manifestou em defesa do governo.

 

Os primeiros a se pronunciar foram representantes do PMDB sindical e presidentes de diretórios estaduais. Durante os discursos, a plateia gritou “Fora, Dilma” em vários momentos.
 
A convenção deve reconduzir para um novo mandato na presidência do partido o vice-presidente da República, Michel Temer, candidato único.

 

 

Além disso, deverá ser o primeiro passo para a saída do PMDB do governo. Os convencionais aprovaram um "aviso prévio” de 30 dias do partido no governo Dilma Rousseff. Nesse prazo, o diretório nacional a ser eleito neste sábado se reunirá e tomará a decisão final.
 
O primeiro-secretário do PMDB, Geddel Vieira Lima, que foi ministro do goveno Lula, defendeu o rompimento "imediato" do PMDB do governo e disse que a presidente Dilma não tem mais condições de governar.

 

"Se a primeira mulher presidente da República perde as condições de ir à televisão no Dia Internacional da Mulher, com medo que as panelas pipoquem, que autoridade de governança tem mais? Nenhuma. Esse é o símbolo de que basta", afirmou.

Geddel leu uma moção que pede o rompimento do PMDB com o governo e a saída dos peemedebistas que ocupam ministérios.

 

Ficou definido que o diretório nacional, que será eleito neste sábado, ficará responsável por se posicionar, em 30 dias, sobre as moções apresentadas durante o evento.
 
Contrário à posição de decidir só em 30 dias sobre a saída ou não do governo, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) também apresentou uma moção pelo rompimento com o PT e defendeu que a convenção nacional tome uma decisão ainda neste sábado.

 

“Há uma tentativa de jogar barriga para frente e não decidir. Estamos decidindo que daqui a 30 dias o diretório vai decidir. Essa é a tática da não decisão. O povo está olhando para nós. Vamos sair de cabeça baixa, envergonhados porque o PMDB não tomou atitude nenhuma? Hoje é o dia em que ou temos momento histórico ou talvez um dos mais pífios de toda a trajetória do PMDB”, defendeu.

Se a primeira mulher presidente da República perde as condições de ir à televisão no dia internacional da Mulher com medo que as panelas pipoquem, que autoridade de governança tem mais? Nenhuma. "
Geddel Vieira Lima, 1º secretário do PMDB

A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), que em 2015 deixou o PT e se filiou ao PMDB, também defendeu o rompimento do partido com o governo Dilma Rousseff e disse que a presidente "não dá conta do recado".

"O PMDB leva o Brasil a dizer 'não' a um governo corrupto e incompetente. Uma presidente que não dá conta do recado, uma presidente isolada e que não consegue governar o país", disse a senadora.

 

Marta disse, ainda, que o PT "esfarelou a economia brasileira" e que o impeachment da presidente "vem tarde".
 
Na convenção, o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS) se referiu à presidente Dilma Rousseff como um “esqueleto andante que não preside mais o país”.

 

 

O deputado afirmou que a petista teve sua autoridade “destituída pela nação” e foi aplaudido pela plateia.
 
A deputada estadual Vanessa Damo, presidente estadual do PMDB Mulher, pediu que os peemedebistas participem das próximas manifestações contra o governo Dilma.

 

“Vamos [...] mostrar que não estamos contentes com o governo Dilma. Queremos que Michel Temer conduza os rumos do nosso país. Não é o momento de ficar em casa, é o momento de ir às ruas. Vamos amanhã às ruas, pintar o rosto. Michel Temer presidente!”, discursou a deputada. A fala foi acompanhada por vários gritos de “Fora, Dilma” e “Brasil, para frente, Temer presidente”.

 

O deputado Carlos Marun (MS) seguiu a linha crítica ao governo e afirmou que o PMDB precisa “derrubar” a petista.

“Nós precisamos ser protagonistas deste processo. Raras vezes um partido teve a oportunidade em uma convenção de definir o futuro do governo. Não sejamos os companheiros deste cadáver insepulto”, declarou.

Na sua fala, o deputado Darcísio Perondi (RS) disse que o PMDB tem de ter “responsabilidade” e “desembarcar” do governo. Para ele, a convenção deste sábado foi o “aviso prévio” ao Planalto.

Perondi puxou o coro “Fora Dilma” no evento por duas vezes. “Se nós, peemedebistas, não tivermos a noção de que temos de desembarcar do governo e dizer ‘não’ à maior facção criminosa que assalta o país há mais de 12 anos, o PMDB vai ser arrasado”, declarou.

“Não queremos mais o PT nesse país. Queremos administrar. O PMDB tem pessoas dignas, de responsabilidade. Sempre demos apoio. Mas sempre a reboque não dá”, discursou a vereadora de Diadema Cida Ferreira, também sendo aplaudida e acompanhada com gritos de “Fora, PT”.

Temer na presidência do partido

A convenção deverá ser o primeiro passo para a saída do PMDB do governo, além de reconduzir para um novo mandato na presidência do partido o vice-presidente da República, Michel Temer, candidato único.

 

 

 

G1