Dilma diz que cabe ao Congresso explicar suposta fraude em CPI

Dilma diz que cabe ao Congresso explicar suposta fraude em CPI

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (4) que cabe ao Congresso Nacional explicar a denúncia de suposto favorecimento a ex-dirigentes da Petrobras convocados para prestar esclarecimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada no Senado para investigar a estatal do petróleo. A chefe do Executivo viajou a São Paulo nesta segunda exclusivamente para visitar um posto de saúde na periferia do município de Guarulhos, na região metropolitana.

Segundo reportagem publicada na edição desta semana da revista "Veja", depoentes como o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli e o ex-diretor da área internacional Nestor Cerveró tiveram acesso a perguntas que seriam feitas por senadores antes de falar à CPI da Petrobras,

A revista afirma ter tido acesso a um vídeo com 20 minutos de duração no qual aparecem o chefe do escritório da estatal em Brasília, José Eduardo Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e uma terceira pessoa não identificada conversando sobre as perguntas que seriam formuladas, sobre quem as elaborou e sobre quem deveria recebê-las.

"Isso [denúncia de favorecimento aos depoentes da CPI da Petrobras no Senado] é uma questão que deve ser respondida pelo Congresso", disse Dilma ao ser indagada sobre a denúncia.

Ela também foi questionada por repórteres sobre o fato de lideranças da oposição terem anunciado durante o final de semana que vão acionar o Conselho de Ética e o Ministério Público para investigar o caso. A oposição sustenta que, se comprovada, a participação de servidor do Executivo na elaboração das perguntas pode configurar ato de improbidade administrativa.

"O PSDB faz as representações que quiser fazer em Brasília", ressaltou Dilma, em tom irônico.

Presidente da CPI da Petrobras, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) informou neste domingo (3), por meio de nota oficial, que vai investigar a suposta fraude na comissão de inquérito. No comunicado, Vital do Rêgo disse estar "surpreendido" com "denúncias sobre informações privilegiadas passadas a depoentes".

Acompanhado do Ministro da Saúdo, Arthur Chioro, a presidente Dilma Rousseff visitou pela manhã a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Jacy, na periferia de Guarulhos. A unidade recebeu dois médicos cubanos do programa Mais Médicos. A viagem também serviu para que a candidata do PT gravasse vídeos e fizesse fotos para a campanha eleitoral.

A assessoria de imprensa da campanha de Dilma à reeleição informou ao G1 que a programação da presidente em Guarulhos, nesta manhã, fez parte de agenda “casada”, na qual ela cumpre ao mesmo tempo atividade de presidente e de campanha. O Palácio do Planalto não se manifestou sobre a agenda eleitoral.

Dilma conversou com a equipe médica que atua no bairro pobre de Guarulhos sobre o perfil dos atendimentos na unidade que serve a 25 mil pessoas. Ela afirmou que São Paulo foi o estado que mais solicitou médicos ao programa, que já atendeu mais de 3,8 mil municípios.

“Muita gente pensa que esse programa Mais Médicos foi feito para atender às regiões mais isoladas deste país, como o Norte ou os departamentos de saúde indígena, onde de fato não havia médico. Sem dúvida, nós fizemos o Mais Médicos para atender a essa região mais isolada, mas a principal demanda pelos médicos vem das cidades mais populosas do país. São Paulo é o estado que mais demandou médicos”, disse.

De acordo com o PT, os custos da viagem a Guarulhos foram pagos pelo comitê de campanha. Nesta terça, a presidente visitará as obras da Usina de Belo Monte (PA), também em "agenda casada", com compromisso oficial e eleitoral. A viagem ao local, segundo o PT, também será custeada pela campanha.

 

G1