Dilma corrige tabela do IR e sobe Bolsa Família

 Dilma corrige tabela do IR e sobe Bolsa Família
Em meio a uma série de notícias negativas do governo e queda nas pesquisas eleitorais, a presidente Dilma Rousseff anunciou ontem em cadeia de rádio e TV um pacote de medidas voltadas aos trabalhadores que incluem reajuste de 10% no Bolsa Família e correção na tabela do Imposto de Renda.
 
Numa fala com forte apelo aos trabalhadores --em vez de dirigir-se à população com "meus queridos brasileiros e brasileiras" ou "meus amigos e minhas amigas", diz "trabalhadores e trabalhadoras"--, a presidente defendeu sua política de valorização do salário mínimo e atacou também a oposição.
 
Em pouco mais de 12 minutos de pronunciamento, afirmou que quer "favorecer aqueles que vivem da renda do seu trabalho". Anunciou o envio de medida provisória ao Congresso que modifica a tabela do Imposto de Renda --nos últimos anos, a correção tem sido de 4,5%.
 
"Assinei também um decreto que atualiza em 10% os valores do Bolsa Família recebidos por 36 milhões de brasileiros beneficiários do programa Brasil sem Miséria, assegurando que todos continuem acima da linha da extrema pobreza definida pela ONU", disse Dilma.
 
O Bolsa Família é a mais importante vitrine dos governos petistas e mais uma vez apontado como crucial na corrida à reeleição. Com valor atual de até R$ 140 mensais por pessoa, sua manutenção tem sido defendida inclusive por candidatos da oposição.
 
PRESIDENTE RESPONDE A OPOSITORES 
 
Alvo de embate com adversários, a política de valorização do salário mínimo, por sua vez, foi usada como arma para contra-atacá-los. Num discurso alinhado com o marqueteiro João Santana e com o aval do ex-presidente Lula, Dilma respondeu veladamente a série de críticas disparadas sobretudo pelo pré-candidato Aécio Neves (PSDB-MG), seu principal adversário na corrida ao Planalto neste ano.
 
"Algumas pessoas reclamam que o nosso salário mínimo tem crescido mais do que devia. Para eles, um salário mínimo melhor não significa mais bem estar para o trabalhador e sua família, dizem que a valorização do salário mínimo é um erro do governo e, por isso, defendem a adoção de medidas duras, sempre contra os trabalhadores", disse.
 
"Nosso governo nunca será o governo do arrocho salarial, nem o governo da mão dura contra o trabalhador", continuou a presidente.
 
"Nosso governo será sempre o governo da defesa dos direitos e das conquistas trabalhistas, um governo que dialoga com os sindicatos e com os movimentos sociais e encontra caminhos para melhorar a vida dos que vivem do suor do seu trabalho."
 
CORRUPÇÃO
 
Após a sequência de mais de um mês de notícias negativas acerca da estatal e com o diagnóstico em mãos de que o escândalo contribuiu para sua queda nas pesquisas, Dilma defendeu "combate incessante e implacável" à corrupção.
 
"Sei que a exposição desses fatos causa indignação e revolta a todos, seja a sociedade, seja o governo, mas isso não vai nos inibir de apurar mais, denunciar mais e mostrar tudo à sociedade, e lutar para que todos os culpados sejam punidos com rigor", disse.
 
A presidente também condenou o que chamou de uso político da Petrobras --desta vez, por parte de seus adversário, que, outra vez, não citou nominalmente.
 
"Não vou ouvir calada a campanha negativa dos que, para tirar proveito político, não hesitam em ferir a imagem dessa empresa que o trabalhador brasileiro construiu com tanta luta, suor e lágrimas."
 
INFLAÇÃO VAI CONTINUAR SOB CONTROLE 
 
Ainda no pronunciamento, a presidente Dilma Rousseff disse que o Brasil “já passou por isso no passado e os brasileiros não aceitam mais a hipocrisia, a covardia ou a conivência", afirmou.
 
"Por isso a Petrobras jamais vai se confundir com atos de corrupção ou ação indevida de qualquer pessoa. Não podemos permitir, como brasileiros que amam e defendem seu país, que se utilize de problemas, mesmo que graves, para tentar destruir a imagem da nossa maior empresa", completou.
 
INFLAÇÃO
 
Dilma falou ainda de "aumentos localizados de preços" ao prestar contas sobre inflação. Atribuiu a alta em sua maioria a eventos climáticos e disse que os efeitos disso são temporários.
 
"Posso garantir a vocês que a inflação continuará rigorosamente sob controle, mas não podemos aceitar o uso político da inflação", afirmou.
 
Fonte: Folhapress